Boletim do SGB aponta contrastes hidrológicos e déficit de chuvas no início de 2026
No coração da estação chuvosa, a Bacia Amazônica apresenta um comportamento de contrastes neste início de 2026. Enquanto o rio Solimões consolida sua subida na fronteira e o rio Madeira ganha corpo em Porto Velho, o rio Negro, em Manaus, desafia a tendência de elevação e permanece estagnado. Os dados são do 3º Boletim de Alerta Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado nesta terça-feira (20), que revela um cenário de normalidade técnica, mas marcado por um déficit de chuvas que mantém o setor em alerta.
O mistério do rio Negro: águas paradas na capital
Em Manaus, o rio Negro registrou a marca de 22,06 metros nesta terça-feira, apresentando uma variação de apenas 1 centímetro nas últimas 24 horas. O comportamento repete o padrão da semana anterior: o rio está praticamente “parado”. Embora tenha respondido positivamente às chuvas do início do mês, o nível atual ainda está 1,50 metro abaixo do registrado no mesmo período de 2021, ano de cheia histórica.
A estabilidade em Manaus reflete o ritmo mais lento observado em todo o curso principal do rio Amazonas, onde as subidas ocorrem de forma mais cadenciada do que o esperado para esta época do ano.
A força que vem de cima: Solimões e Madeira em ascensão
Diferente da calmaria na capital amazonense, a cabeceira da bacia mostra vigor. Em Tabatinga, na fronteira com o Peru, o rio Solimões consolidou sua recuperação com uma subida acumulada de 2,65 metros, atingindo a cota de 9,31 metros — valor considerado dentro da média histórica. Essa “onda” de subida já começa a ser sentida em Manacapuru, onde o rio dá sinais de reação após 15 dias de estabilidade.
Mais ao sul, o rio Madeira mantém seu processo de enchente. Em Porto Velho (RO), o nível subiu 1 metro na última semana, chegando a 12,63 metros. Já em Humaitá (AM), a situação exige maior atenção: o rio subiu 76 centímetros e já toca o limite superior da faixa de normalidade para o período.
Céu limpo e o alerta invisível: o déficit de chuvas
Apesar de estarmos no auge do inverno amazônico, os satélites do INPE apontam um dado preocupante: não houve registro de anomalias positivas de chuva em quase toda a região monitorada entre o fim de dezembro e meados de janeiro. Pelo contrário, bacias como as do rio Branco, Coari e Solimões apresentam um déficit hídrico significativo, classificadas entre as categorias de “seco” a “extremamente seco” em termos de precipitação.
Em Boa Vista, o rio Branco registrou apenas 1,11 metro, mantendo-se em níveis baixos, embora próximos à média histórica. A esperança para Roraima reside na previsão meteorológica para os próximos 15 dias, que indica chuvas acima da média, o que pode provocar uma elevação acentuada no nível das águas.
Perspectivas para o setor
Para os moradores das várzeas e para o setor logístico, o boletim do SGB traz um alento cauteloso. A previsão para a última semana de janeiro indica um retorno das chuvas ao norte e noroeste da bacia, o que deve impulsionar os rios Negro, Japurá e o alto Solimões. Por outro lado, o sudeste da região, abrangendo as bacias do Madeira e do Purus, deve enfrentar dias de menos chuva, o que pode desacelerar o ritmo de subida desses afluentes.








