Com a maior produção científica sobre altas habilidades, pesquisador usa a própria história e a genética para mostrar que o desinteresse escolar pode esconder um cérebro de alto QI em busca de lógica
Muitas vezes, o que pais e professores interpretam como uma rebeldia sem propósito é, na verdade, o sinal de um cérebro que está operando em uma frequência diferente, buscando um sentido que o ambiente ao redor não está oferecendo. Esse “descompasso” entre a capacidade cognitiva e a estrutura escolar ou familiar pode transformar crianças brilhantes em alunos desinteressados ou até desafiadores.
O Dr. Fabiano de Abreu Agrela, pós-PhD em neurociências e pesquisador com a maior quantidade de estudos publicados sobre superdotação, conhece essa realidade não apenas pelos dados, mas pela própria história. “Eu era o ‘capeta’ na escola, odiava aquele ambiente e chegava a burlar regras e falsificar assinaturas dos meus pais para evitar advertências”, revela o cientista, que hoje preside a ISI Society (sociedade de alto QI) e dirige a IIS International. Para ele, o que faltava naquela época era a lógica; um cérebro superdotado raramente aceita uma pressão que não faça sentido ou uma instrução que não venha acompanhada de um “porquê” claro.
Genética como chave para o entendimento
Atualmente, o Dr. Fabiano lidera o GIP – Genetic Intelligence Project, um estudo pioneiro que envolve mais de 200 superdotados nacionais e internacionais. O objetivo é grandioso: estimar o QI através da genética e entender como as variações neurogenômicas influenciam o comportamento e a inteligência. Esse projeto não busca apenas rotular indivíduos, mas oferecer uma base sólida, o “princípio da prova”, para que as famílias saibam como lidar com esse excesso de energia mental.
A ciência observa que crianças com altas habilidades podem parecer “compensadas demais” em certas áreas, enquanto sofrem com questões sensoriais ou tédio profundo em outras. Um exemplo comum é o aluno que, aos sete anos, já domina o conteúdo de séries avançadas, mas acaba criando problemas em sala porque seu ritmo de processamento é muito superior ao que lhe é exigido.

Como equilibrar esse descompasso?
A orientação do Dr. Fabiano para os pais de filhos superdotados é baseada na cautela e na empatia intelectual:
- Relaxar a pressão artificial: Um cérebro de alto QI não responde bem a ordens autoritárias sem fundamento lógico.
- Focar nos pilares éticos: Enquanto o conhecimento técnico eles muitas vezes desenvolvem por conta própria, o papel dos pais deve ser o de guiar a ética, a moral e a verdade.
- Priorizar o entendimento: Antes de exigir obediência, explique como o mundo funciona. Transforme a instrução em uma conversa inteligente e ponderada.
O conhecimento neurocientífico só é verdadeiramente válido quando se torna útil para a sociedade, ajudando a transformar o que antes era visto como “rebeldia” em um potencial grandioso e bem direcionado. Entender a genética e a neurociência por trás da inteligência é, acima de tudo, uma forma de acolher essas crianças e permitir que elas se desenvolvam no seu próprio tempo, com a leveza que todo aprendizado deveria ter.








