Decisão atende parecer do Ministério Público, que apontou indícios de homicídio qualificado e tentativa de ocultar a verdade; laudo confirmou que Carlos André morreu por tiro frontal e não por acidente
A Justiça do Amazonas decretou, nesta quarta-feira (22), a prisão preventiva do 3° sargento Belmiro Wellington Costa Xavier e do soldado Hudson Marcelo Vilela de Campos. A decisão reformulou a liberdade provisória concedida anteriormente, após o Ministério Público do Amazonas (MPAM) apresentar provas que contradizem a versão dos policiais sobre a morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos.
O parecer do MPAM, assinado pela promotora Adriana Monteiro Espinheira, foi contundente ao apontar que a dinâmica dos fatos apresentada pelos PMs era falsa. Enquanto os agentes sustentaram que o jovem teria morrido após perder o controle da moto e cair durante uma perseguição, vídeos que circularam na internet e o laudo necroscópico desmentiram a guarnição.
O exame técnico confirmou que a causa da morte foi um disparo de arma de fogo com trajetória frontal, que atravessou ambos os pulmões da vítima. “A versão dos investigados foi retificada somente após a constatação do óbito, o que fragiliza a credibilidade e indica tentativa de ocultação da verdade”, destacou o Ministério Público.
Risco à instrução criminal
Ao acatar o pedido de prisão, o juiz Alcides Carvalho Vieira Filho considerou que a liberdade dos militares representava um risco à ordem pública e à instrução do processo. O MPAM ressaltou que, por serem agentes do Estado, os policiais possuem meios concretos para intimidar testemunhas e interferir na colheita de provas.
O crime agora é tratado sob suspeita de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e falso testemunho. O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).








