Senador usou agenda no Salão Oval para tentar abafar escândalo de áudios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o banco Master
Em meio ao desgaste provocado pelo vazamento de áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador do PL e pré-candidato à Presidência reuniu-se reservadamente com o líder norte-americano no Salão Oval; a comitiva focou a agenda na cobrança para que os EUA classifiquem o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas globais, mas o parlamentar fluminense retorna a Brasília nesta quarta-feira sem a declaração formal de apoio à sua chapa. (135 caracteres)
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recorreu ao seu principal trunfo de articulação internacional para tentar conter a maior crise política de sua campanha. Em uma agenda cercada de suspense por assessores e que não constava nos registros oficiais de Washington, Flávio foi recebido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, conseguindo registros fotográficos estratégicos para dar fôlego à sua militância conservadora no Brasil.
A viagem relâmpago funcionou como uma cortina de fumaça calculada. O parlamentar desembarcou nos Estados Unidos sob o desgaste provocado pelas investigações da Polícia Federal que apontam pedidos de repasses financeiros na ordem de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master. Para desviar o foco dos holofotes midiáticos e das cobranças do Judiciário brasileiro, Flávio concentrou seus discursos na pauta da segurança pública transnacional.
Balanço e Desdobramentos da Agenda em Washington (Tabela)
A incursão do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pela capital norte-americana ocorreu exatas três semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal oponente no pleito, também ter sido recebido por Trump.
| Eixo de Análise da Viagem | Metas da Comitiva do PL | Resultados Práticos Obtidos | Situação Diplomática Formal |
| Combate às Facções | Pedir que os EUA classifiquem o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas | Pauta protocolada junto a parlamentares e assessores de segurança | Em análise técnica pelo Departamento de Estado dos EUA |
| Relações Familiares | Atualizar o líder americano sobre a situação jurídica e carcerária de Jair Bolsonaro | Trump demonstrou “gesto humano” e solidariedade à família | Canal de diálogo restrito ao clã Bolsonaro |
| Chancela Eleitoral | Obter uma declaração pública de apoio à sua pré-candidatura ao Planalto | Nenhum endosso formal foi concedido pelo presidente dos EUA | Flávio nega ter pedido voto: “Não haveria e jamais pediria” |
Bastidor de 1h40 no Salão Oval
De acordo com o relato do próprio senador, a audiência privada com Donald Trump estendeu-se por 1 hora e 40 minutos e foi marcada por um tom de extrema cordialidade. A interlocução abriu-se com questionamentos do chefe de Estado norte-americano a respeito das condições de reclusão de Jair Bolsonaro, condenado e preso em decorrência das investigações sobre a trama golpista de 2023.
[A Rota de Desvio do Debate Político]
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├──► Fato Gerador: Desgaste com áudios do banco Master e cerco da Polícia Federal
├──► Contra-ataque: Viagem a Washington e foto com Donald Trump no Salão Oval
└──► Nova Pauta: Classificação de facções brasileiras (PCC/CV) como terrorismo nos EUA
Defesa contra facções
O núcleo de coordenação política de Flávio Bolsonaro argumenta que, caso o governo norte-americano ceda à pressão e designe as facções criminosas brasileiras como redes terroristas internacionais, o Tesouro dos EUA e o FBI passarão a ter prerrogativas legais para congelar ativos, confiscar bens e rastrear contas de operadores desses grupos em qualquer paraíso fiscal do planeta.
Apesar de a equipe de assessores classificar a missão internacional como um “sucesso absoluto” para reposicionar a imagem do pré-candidato no topo do debate da segurança, Flávio Bolsonaro arruma as malas para deixar Washington nesta quarta-feira (26/05) sem a cobiçada declaração em vídeo ou manifesto de apoio de Trump.
Questionado de forma direta pela reportagem da BBC News Brasil, o senador recuou e declarou que uma ingerência estrangeira dessa magnitude seria inadequada: “Não tem declaração de nada de apoio. Como não deveria ter, como não poderia ter e como eu jamais pediria que isso acontecesse”, pontuou. O Palácio do Planalto e a ala governista ironizaram a viagem, classificando-a como uma tentativa desesperada de escapar do alcance das investigações sobre o banco Master.








