Veredito saiu na madrugada desta segunda-feira; mentor cumprirá pena por feminicídio, aborto provocado e ocultação de cadáver
O desfecho jurídico de um dos episódios mais bárbaros e de maior clamor social da crônica policial amazonense foi consolidado sob forte comoção no plenário da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus. Na madrugada desta segunda-feira (1º/06), por volta das 2h, o juiz titular Fábio Alfaia leu a sentença que condenou Gil Romero Machado Batista e José Nílson Azevedo da Silva pelo assassinato de Débora da Silva Alves, que tinha 18 anos, e do bebê de oito meses que ela carregava no ventre.
O julgamento, realizado no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, estendeu-se por cinco dias de sessões exaustivas, iniciadas na manhã da última quarta-feira (27 de maio). Diante da complexidade técnica do processo, do vasto volume de laudos periciais e do grande número de testemunhas ouvidas, os debates entre o Ministério Público e os advogados de defesa estenderam-se pelas madrugadas. O Conselho de Sentença, formado por cidadãos da capital, acolheu integralmente a tese de acusação contra o mentor do crime, enquanto atenuou a participação do segundo envolvido.
Sentenças e dosimetria
O veredito determinou o início imediato do cumprimento das penas em regime fechado em unidade penitenciária do estado, sem direito a recorrer em liberdade.
| Réu Sentenciado no Júri | Pena Total Fixada | Regime Inicial | Tipificação Penal e Deliberação dos Jurados |
| Gil Romero Machado Batista | 63 anos, 7 meses e 19 dias | Fechado Imediato | Condenado por homicídio com qualificadoras de feminicídio, motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa, além de aborto e ocultação. |
| José Nílson Azevedo da Silva | 17 anos e 8 meses | Fechado Imediato | Condenado por homicídio qualificado por motivo torpe; jurados afastaram o feminicídio e duas qualificadoras. |
Trama de horrores
O crime, ocorrido em julho de 2023, chocou o país pela frieza e requinte de crueldade. Conforme os autos do inquérito policial e a denúncia do Ministério Público, Débora mantinha uma relação com Gil Romero, que se recusava a assumir a paternidade do filho. A jovem foi atraída para uma emboscada sob o pretexto de receber um berço de presente para o enxoval. Ao chegar ao ponto de encontro nas proximidades da Usina Termelétrica Mauá, na zona Leste de Manaus, ela foi rendida e asfixiada até a morte.

[A Linha da barbaridade e a resposta judicial]
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├──► Julho/2023: Execução de Débora, extração forçada do feto, mutilação e queima em tonel
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├──► Agosto/2023: Localização do corpo do bebê em área de mata após um mês de buscas
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└──► Junho/2026: Condenação histórica soma mais de 80 anos de prisão para os réus no fórum
Os detalhes revelados pela necropsia expuseram a perversidade dos executores. Após matarem a gestante por sufocamento, os criminosos realizaram a extração forçada do feto de seu ventre. Para ocultar as provas, tentaram ocultar o cadáver de Débora dentro de um tonel metálico. Como o corpo não coube no recipiente, os assassinos mutilaram os pés da jovem antes de atearem fogo ao vasilhame. O corpo do bebê só foi localizado pelas equipes de investigação cerca de um mês após o crime, enterrando uma angustiante busca familiar.
Durante os cinco dias de julgamento, uma multidão composta por familiares, amigos e movimentos de proteção à mulher montou vigília em frente ao Fórum Henoch Reis, empunhando cartazes e clamando por punição máxima. Embora a defesa de José Nílson tenha conseguido convencer os jurados a afastar o agravante de feminicídio e duas qualificadoras de ocultação, reduzindo sua pena para 17 anos, a condenação de Gil Romero a mais de seis décadas de reclusão foi recebida com alívio pelos parentes da vítima, encerrando o rito processual na capital.








