Luciano de Souza Granjeiro foi capturado em casa; Polícia Civil diz que colabora e enviou o caso para a Corregedoria-Geral
A infiltração do crime organizado nas estruturas institucionais de segurança pública voltou a sofrer um duro revés no Amazonas. Na manhã desta terça-feira (09/06/2026), a Polícia Federal (PF), em força-tarefa com o Ministério Público do Amazonas (MPAM), prendeu o investigador da Polícia Civil (PC-AM), Luciano de Souza Granjeiro. O policial é apontado pelas investigações como peça integrante da engrenagem logística que coordenou o roubo e a posterior ocultação de uma carga milionária de ouro clandestino em outubro de 2025.
A prisão preventiva do funcionário público estadual foi executada por agentes federais em sua residência, logo nas primeiras horas do dia. O alvo é um desdobramento cirúrgico da Operação Piloto de Fuga, ofensiva que mapeia o envolvimento de agentes do Estado em assaltos e na lavagem de minérios de origem ilegal na capital amazonense. Além da captura do servidor, as equipes da PF ganharam as ruas para vasculhar endereços e repartições públicas ligadas ao suspeito.
A ofensiva integrada aprofunda as provas contra a banda podre do funcionalismo, que utilizava o aparato estatal e informações privilegiadas para dar cobertura a contrabandistas de minério.
| Servidor / alvo da prisão | Cargo e unidade de lotação | Medida judicial cumprida | Crimes tipificados no inquérito | Status administrativo atual |
| Luciano de Souza Granjeiro | Investigador da Polícia Civil (PC-AM) | Prisão Preventiva Residencial | Roubo e Associação Criminosa | Afastado e enviado à Corregedoria |
| 1º Distrito Integrado de Polícia | Sede das buscas da PF (1º DIP) | Busca e apreensão de mídias | Usurpação de Bens da União | Alvo de devassa e auditoria interna |
| Esquema Investigado | Roubo e ocultação de ouro ilegal | Quebra de sigilo telemático | Fraude Processual Majorada | Inquérito em andamento na PF |
O impacto da operação atingiu o coração de uma das delegacias mais movimentadas de Manaus. Munidos de ordens judiciais expedidas pela Vara Especializada em Organizações Criminosas, os policiais federais realizaram uma devassa nas dependências do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), delegacia onde o investigador Luciano Granjeiro exercia suas funções. A operação recolheu documentos operacionais, computadores e arquivos digitais do investigado com o intuito de verificar se a estrutura do distrito policial foi utilizada para acobertar o trânsito do minério extraído ilegalmente de terras públicas da União.
Postura da Delegacia Geral do AM:
Diante do desgaste institucional, a cúpula da Polícia Civil do Amazonas reagiu de forma imediata por meio de nota oficial, adotando uma postura humanizada e de cooperação total com as autoridades federais: “A PC-AM esclarece que não compactua com qualquer tipo de irregularidade ou desvio de conduta por parte de seus servidores e colabora integralmente com as investigações conduzidas pela PF, a fim de garantir a completa elucidação dos fatos”, informou a instituição.
O posicionamento da Polícia Civil ressalta que o caso já foi formalmente encaminhado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas, órgão responsável por abrir um processo administrativo disciplinar (PAD) em regime de urgência, o que pode resultar na demissão definitiva do investigador bem antes do desfecho do processo judicial. Na esfera criminal, Luciano de Souza Granjeiro e os demais membros da quadrilha responderão perante a Justiça Federal pelos crimes de roubo majorado, associação criminosa, usurpação de patrimônio e bens da União e fraude processual, permanecendo o servidor custodiado em pavilhão especial à disposição das autoridades.








