Em discurso duro em Manaus, governador e aliados reagem a ataques da oposição e acusam senador de agir como ministro do STF
O clima de calmaria que historicamente precede as convenções partidárias foi definitivamente rompido na capital, dando lugar a um cenário de confronto direto e artilharia pesada nos palanques. Na tarde desta terça-feira (07/07), a oficialização da pré-candidatura do governador Roberto Cidade à reeleição converteu-se em uma verdadeira declaração de guerra eleitoral. O ato político, que reuniu prefeitos do interior, vereadores, deputados estaduais e federais, serviu como palco para uma pronta resposta discursiva contra a ofensiva disparada no dia anterior pela ala oposicionista encabeçada por Omar Aziz e Eduardo Braga.
A tônica dos discursos abandonou o formalismo institucional para abrir uma linha de ataque frontal aos adversários. O ex-governador Wilson Lima, atual pré-candidato ao Senado, desferiu a fala mais contundente da tarde de pista.
Ao defender o legado de sua gestão nas áreas de assistência e infraestrutura, Lima mirou diretamente as vulnerabilidades do histórico político de Omar, trazendo de volta ao debate público temas espinhosos como os desdobramentos da Operação Maus Caminhos e a eficiência do extinto programa Ronda nos Bairros. “O processo da Maus Caminhos está adormecido na Justiça, mas ele está muito presente na mente das pessoas. Nós não vamos voltar ao passado”, disparou.
No campo da segurança pública, a retórica governista buscou desconstruir a promessa da oposição de reeditar o Ronda nos Bairros em formato ampliado. De acordo com o bloco, o antigo projeto fixou-se como o pior programa do setor na história do Amazonas, sendo associado à eclosão da primeira greve da Polícia Militar devido à falta de estrutura de pista para os servidores.
Para contrapor o modelo antigo, foram exibidos como trunfos de mercado as atuais bases fluviais Arpão, o investimento em lanchas blindadas para patrulhamento fluvial, as câmeras do sistema Paredão, o programa Recupera Fone e o combate ao narcotráfico na Rota do Solimões, enquadrando a disputa como um embate entre os métodos da “velha política” e um grupo que se apresenta como novo.
O governador Roberto Cidade manteve a mesma linha de firmeza, acusando o principal senador da oposição, sem citar seu nome, de exercer uma influência política desmedida e tentar intimidar os adversários de pista através do uso das instituições de controle.
“Tem político que é senador, mas age como ministro do STF, age como superintendente da Polícia Federal e diz que vai prender todo mundo. Vai prender nada, porque aqui só tem homem de bem”, pontuou o mandatário, reforçando que responderá aos ataques com trabalho e propostas. Cidade elogiou a postura de Wilson Lima pela autonomia concedida desde a sua ascensão ao cargo, em 4 de abril, afirmando que nunca sofreu interferências burocráticas em suas decisões na máquina pública.
Com a escalada das tensões na capital, o tabuleiro político amazonense ingressa de forma definitiva em uma fase de polarização explícita de forças. O grupo governista calibrou sua estratégia de marketing de pista para exibir Roberto Cidade sob uma dupla moldura: a da continuidade administrativa de projetos consolidados e a da ruptura política contra os tradicionais “caciques” do estado. Em seu plano de metas para o futuro, o governador prometeu centralizar o debate técnico em propostas de forte apelo econômico, com foco na atração de investimentos para as novas matrizes produtivas baseadas no gás natural, na exploração de potássio, no fortalecimento do Codam e na modernização dos serviços essenciais de saúde e educação.








