Tragédia com a lancha Lima de Abreu XV deixou três mortos e cinco desaparecidos; piloto responde por homicídio qualificado
Nesta quarta-feira (08/07/), foi decretado o fim definitivo das buscas pelos cinco passageiros que seguiam desaparecidos desde o naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, ocorrido no dia 13 de fevereiro na região do Encontro das Águas, em Manaus. A mobilização de campo, que se estendeu até o dia 30 de junho, foi suspensa devido ao esgotamento técnico de novas pistas, mantendo as equipes em estado de sobreaviso velado caso surjam novos indícios na calha fluvial.
Com a certidão de encerramento dos trabalhos, os parentes de três das vítimas que continuam sumidas — identificadas como Patricia Barroso da Silva, Romualdo de Almeida, Renato Alan, Apoliana Oliveira e Ana Carla — formalizaram a retirada do Boletim de Ocorrência institucional. O documento, devidamente inserido no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), constitui a peça jurídica inicial indispensável para que as famílias consigam acionar o Poder Judiciário e pleitear a emissão da declaração de morte presumida, permitindo a resolução de inventários e trâmites civis humanizados.
A tragédia com a embarcação, que cumpria a rota comercial entre Manaus, Nova Olinda do Norte e Tefé, ceifou a vida de três passageiros: a criança Samila de Souza, de 3 anos; o cantor gospel Fernando Cortez e a jovem Lara Bianca, de 22 anos. No dia do sinistro, uma intensa mobilização de pista que reuniu dezenas de militares, viaturas e lanchas de patrulha conseguiu retirar 71 ocupantes com vida das águas. O esforço de varredura operou em regime ininterrupto com um efetivo diário de 50 socorristas até passar para o formato intermitente, duas vezes por semana, culminando no encerramento atual.
No front penal de balcão, o piloto da lancha, Pedro José da Silva Gama, de 43 anos, responde ao processo atrás das grades. Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Amazonas dois dias após o acidente por determinação da juíza Eline do Amaral Pinto. Embora tenha pago fiança inicial no flagrante, ele se apresentou voluntariamente em 16 de março para o cumprimento do mandado. Em 24 de abril, a denúncia ofertada pelo promotor Thiago de Melo Roberto Freire foi aceita, tornando Pedro José réu por homicídio qualificado. Sobreviventes relataram em depoimento que o piloto conduzia a balsa em alta velocidade e disputava um “racha” clandestino com outra embarcação momentos antes de virar no rio.








