Combinação de emendas orçamentárias e pouca exposição presencial gera críticas sobre o equilíbrio da disputa eleitoral
Os parlamentares da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) retornam do recesso de meio de ano na próxima terça-feira (04/08) impulsionados por R$ 612,5 milhões em emendas orçamentárias, mais de R$ 1,1 milhão do cotão para despesas operacionais e verbas de gabinete superiores a R$ 120 mil mensais.
A estrutura beneficia os 24 deputados estaduais que buscam a renovação de mandato ou novas composições majoritárias na eleição de 2026, como a deputada Alessandra Campêlo, indicada a vice-governadora na chapa de Omar Aziz.
Além do volume de recursos, os congressistas contam com uma rotina flexibilizada de sessões plenárias. Diferente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), do Congresso Nacional e do Senado, a ALE-AM alterou o texto constitucional em fevereiro de 2025 para extinguir a obrigatoriedade de três reuniões matutinas semanais. Desde a alteração, a casa acumulou apenas 38 datas com sessões ordinárias completas, cenário que alimenta o risco do chamado recesso branco durante a campanha eleitoral.
“Entendemos que esse novo formato transmite uma mensagem ruim para a sociedade. Enquanto a maioria dos trabalhadores cumpre jornadas de cinco ou até seis dias por semana, espera-se que o Parlamento mantenha uma rotina que favoreça a transparência, o debate público e a participação popular”, adverte a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), professora Ana Cristina Rodrigues.
Falta de transparência em cargos e impacto eleitoral
Paralelamente às mudanças regimentais, o Portal da Transparência da ALE-AM omitiu o botão de acesso à Tabela de Cargos e Salários, dificultando a identificação dos nomes e vencimentos dos assessores lotados nos gabinetes. A Assembleia amazonense segue como a única instituição do estado sem listagem funcional nominal visível de forma direta no ambiente digital, diferentemente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Ministério Público (MP-AM) e Prefeitura de Manaus.
Especialistas apontam que a combinação de opacidade estrutural e alto poder de indicação orçamentária desequilibra o pleito contra postulantes sem mandato no estado, cobrindo regiões da capital e do interior, como a zona Leste de Manaus.
“Os parlamentares têm um volume muito grande de dinheiro que eles indicam como deve ser gasto e os novos candidatos não vão ter essa competição em igualdade”, explica o fundador da Central das Emendas, Bruno Bondarovsky.








