Homenageado pela cúpula do Judiciário no Teatro Amazonas, ministro apresentou balanço do CNJ antes de assumir a Vice-Presidência do STJ
O ministro Mauro Campbell Marques viveu momentos de intensa emoção na noite desta quarta-feira (12/08), durante a conferência de despedida do cargo de Corregedor Nacional de Justiça, realizada no palco do Teatro Amazonas, em Manaus. Aclamado por autoridades dos Poderes Judiciário e Executivo do país em sua terra natal, o magistrado interrompeu o discurso em diversas ocasiões, embargando a voz e chorando ao fazer o balanço dos dois anos à frente do órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A solenidade marcou a abertura oficial do encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), sediado na capital amazonense sob a condução do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJ-AM), desembargador Jomar Fernandes, e do presidente do fórum nacional, desembargador Heráclito Neto. Campbell deixa a Corregedoria Nacional para tomar posse como vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em uma exposição de quase uma hora, o homenageado sensibilizou a plateia ao dimensionar os custos invisíveis do exercício das altas funções públicas sobre a vida privada e familiar.
“Há um preço pessoal que quase nunca aparece nos relatórios, nas estatísticas e nos atos administrativos. Mas ele existe, é real e muitas vezes é pago silenciosamente por nossas famílias”, afirmou, com a voz embargada, o ministro Mauro Campbell Marques.
A metáfora do arquipélago
Na parte técnica do pronunciamento, Mauro Campbell utilizou uma analogia geográfica para defender a padronização de rotinas e a transparência contábil entre os tribunais estaduais e militares do país, rechaçando o isolamento administrativo e a autonomia desintegrada.
“O Judiciário brasileiro é um arquipélago que precisa progressivamente reconhecer-se como continente”, resumiu o ministro Mauro Campbell Marques.
“Enquanto cada tribunal está olhando para sua própria realidade, nós estamos olhando para todos os tribunais brasileiros ao mesmo tempo. Por mais respeitáveis que sejam as peculiaridades de cada ilha, precisamos enxergar o arquipélago inteiro”, ponderou o ministro Mauro Campbell Marques.
Balanço de gestão
Durante o biênio sob seu comando, a Corregedoria promoveu 27 inspeções presenciais nos tribunais estaduais e concluiu uma auditoria profunda que analisou cerca de 300 mil planilhas de pagamentos de magistrados ativos, aposentados e pensionistas, com o objetivo de implantar o contracheque único nacional. O combate à contratação parentela também foi pauta central.
“A Justiça não pode ser espaço para privilégios de família, favorecimentos pessoais ou formas, ainda que disfarçadas, de apropriação privada daquilo que é público. Combater o nepotismo não é perseguir pessoas, é proteger instituições”, declarou o ministro Mauro Campbell Marques.
O balanço social destacou a Semana Nacional do Registro Civil, responsável por 225 mil solicitações de certidões e pela emissão gratuita de 120 mil documentos, além do avanço do Programa Solo Seguro para a regularização fundiária urbana e rural na Amazônia.
Presenças e homenagens
A cerimônia foi acompanhada por comitiva de cúpula que incluiu o governador do Amazonas, Roberto Cidade, o presidente em exercício da Assembleia Legislativa (Aleam), Adjuto Afonso, e o prefeito de Manaus, Renato Junior. Em vídeo exibido no evento, o futuro presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, saudou o par. O corregedor-geral de Justiça do Amazonas, desembargador Hamilton Saraiva, amigo pessoal de Campbell desde a atuação conjunta no Ministério Público do Amazonas (MPAM), chorou durante homenagem prestada no dispositivo de honra.
“Levo sobretudo as pessoas, porque, no fim de uma gestão, são as pessoas que permanecem na memória. Os atos administrativos passam, os números mudam, as estruturas se transformam e as gestões terminam. Mas permanecem os vínculos que construímos”, concluiu, emocionado, o ministro Mauro Campbell Marques.








