Documento oficial revela aumento da violência com 258 mortes, avanço de suicídios e mortalidade infantil por causas evitáveis no país
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apresentou, nessa quinta-feira (13/08), a nova edição do relatório anual Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, revelando um cenário de escalada de conflitos no país ao longo de 2025. Segundo dados consolidados pelo órgão junto ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), secretarias estaduais e à Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai), foram registrados 258 assassinatos de indígenas, número 22% superior aos 211 casos contabilizados no levantamento de 2024.
O ranking dos estados com maior número de mortes violentas é liderado por Roraima (82 casos), seguido pelo Amazonas (47) e por Mato Grosso do Sul (37). De acordo com o documento, a perpetuação da violência contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do Poder Público está diretamente associada ao impasse jurídico no Supremo Tribunal Federal (STF) referente à Tese do Marco Temporal (Lei nº 14.701/2023), que desacelerou os processos de regularização fundiária pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
A publicação aponta que, das 1.443 reivindicações territoriais mapeadas em território nacional, 897 áreas (62%) seguem pendentes de providências administrativas e 582 não possuem qualquer estudo inicial deflagrado. A paralisação dos trâmites intensificou invasões garimpeiras, grilagem e conflitos armedos em territórios já delimitados no Paraná, na Bahia e em Mato Grosso do Sul.
No capítulo dedicado à omissão do Poder Público, o relatório destaca a evolução crítica de indicadores de saúde e assistência nas aldeias e acampamentos:
- Mortalidade na infância (0 a 4 anos): Alcançou 1.024 óbitos em 2025 (ante 922 em 2024). Do total, 586 mortes (57%) decorreram de causas consideradas clinicamente evitáveis, como pneumonia, diarreia e desnutrição severa, concentradas no Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123).
- Suicídios: Registraram 215 ocorrências, com maior prevalência entre jovens de até 29 anos (75% dos casos). Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37) lideram as estatísticas.
- Povos Isolados: O Cimi identificou 119 registros de grupos em isolamento voluntário no Brasil, dos quais apenas 28 contam com confirmação oficial e proteção da Funai.
O Cimi enfatiza que a escassez de água potável, a contaminação por mercúrio e agrotóxicos em bacias hidrográficas e a falta de equipes técnicas da Sesai agravam a desassistência sanitária, especialmente entre populações acampadas em faixas de domínio no Rio Grande do Sul e na Região Norte.








