Arquivo apreendido pela PF no celular de Daniel Vorcaro indica alteração por perfil do ministro às 23h04
Uma reportagem divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (01/09) revelou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), editou a versão final de um contrato de prestação de serviços advocatícios de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A informação foi obtida a partir da análise dos metadados de um arquivo digital apreendido pela Polícia Federal no telefone celular de Vorcaro em novembro de 2025.
Conforme os registros técnicos do documento do Office 365, a última modificação no texto ocorreu às 23h04 do dia 15 de janeiro de 2024, sob a autoria de um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. A alteração aconteceu cerca de 1h40 após o banqueiro devolver a minuta com suas próprias revisões. O contrato estabelecia o pagamento em 36 parcelas de R$ 3 milhões líquidos ao escritório, acumulando repasses já comprovados de R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025, de acordo com documentos da declaração de Imposto de Renda do banco entregues à CPI do Crime Organizado.
Em nota oficial encaminhada à imprensa, o escritório Barci de Moraes declarou que a consulta ao ministro ocorreu por razões de compliance, a fim de verificar se existia algum impedimento legal para a celebração do acordo comercial. O comunicado ressalta que o magistrado nunca julgou causas envolvendo o Banco Master ou o banqueiro e que o contrato cumpriu rigorosamente as exigências éticas. Os pagamentos foram interrompidos após as operações policiais e a decretação de liquidação do Banco Master pelo Banco Central. A defesa direta do ministro não emitiu pronunciamento adicional sobre a alteração do arquivo.

“O setor de compliance solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, sobre eventual existência de impedimentos legais. Diante da inexistência de atuação no STF ou de impedimento, uma vez que o ministro jamais julgou causas do Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços prestados”, afirmou o escritório em nota.
Detalhamento das negociações
Os bastidores do contrato milionário e os desdobramentos operacionais que paralisaram os repasses compreendem a seguinte cronologia:
A negociação começou em janeiro de 2024 com o envio da minuta inicial por Viviane Barci de Moraes a Daniel Vorcaro. Após a troca de revisões e a alteração registrada pelo perfil do ministro do STF no arquivo, o contrato passou a vigorar com parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos.
O fluxo financeiro foi suspenso com a primeira prisão preventiva do banqueiro pela Polícia Federal, em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar em voo internacional para Dubai. Após nova prisão de Vorcaro em março de 2026 e a intervenção do Banco Central no Banco Master, as movimentações do caso passaram a ser monitoradas pelas comissões parlamentares de inquérito em Brasília.








