Ministro André Mendonça atendeu a pedido da Polícia Federal e PGR para apurar crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O parlamentar é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, custeada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Em nota, Flávio Bolsonaro rechaçou a existência de qualquer irregularidade na captação dos recursos para a produção. O espaço para manifestação de sua defesa segue aberto.
A decisão de Mendonça foi emitida em 22 de julho e tornou-se pública após o levantamento parcial do sigilo das investigações que apuram fraudes atribuídas a Vorcaro e suas conexões políticas em Brasília.
Áudios divulgados pelo Intercept Brasil revelam que Flávio pediu R$ 134 milhões ao empresário para viabilizar o projeto cinematográfico. Desse montante, mais de R$ 60 milhões já teriam sido efetivamente pagos, segundo levantamentos da Polícia Federal (PF).
Atualmente, o STF conduz duas investigações distintas sobre o longa-metragem:
- Emendas parlamentares: Sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura o direcionamento de verbas públicas à produção.
- Caso Banco Master: Conduzida por André Mendonça, foca nas relações financeiras com Vorcaro, frente na qual o senador é formalmente investigado.
Pressão por repasses em áudio
Na gravação enviada a Vorcaro e anexada ao processo, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com o atraso em parcelas do projeto e menciona riscos a compromissos assumidos com profissionais de Hollywood:
“Meu irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente está passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né cara? (…) E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, da gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, .. é porque está num momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso. E eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou para o filme. Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, no Cyrus (Nowrasteh) … os caras, porra, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial”, diz o senador em um trecho do áudio.
Fundamentação jurídica
Em seu despacho, Mendonça acolheu o pedido da autoridade policial com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR):
“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República FLÁVIO NATES BOLSONARO, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro DANIEL BUENO VORCARO.”
Com a autorização formal, a PF foi liberada para dar andamento às diligências, oitivas e cruzamentos de dados financeiros sobre o candidato.
Delação premiada e rotas internacionais
O avanço das apurações ganhou força após a homologação da delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, proprietário da Entre Investimentos. O delator afirmou que gerava valores expressivos em dinheiro vivo e entregava em malas a emissários de Vorcaro, mantendo ainda uma conta conjunta com o banqueiro para pagamento de despesas de seu interesse.
Entre os documentos e comprovantes de operações de câmbio apresentados por Freixo Júnior, constam transferências enviadas ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e gerido pelo advogado Paulo Calixto, representante de Eduardo Bolsonaro no exterior.
Comprovantes e trocas de mensagens recuperadas no celular de Vorcaro indicam a remessa de ao menos US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões à época) para o fundo sob o pretexto de patrocínio do filme. A Polícia Federal e a PGR investigam se parte dessas divisas enviadas ao exterior cobriu despesas pessoais ou operacionais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.








