Vítima do povo Munduruku sofreu ferimentos graves na cabeça e precisou de resgate aéreo até hospital em Itaituba
Uma menina indígena de oito anos, pertencente ao povo Munduruku, permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba, no Sudoeste do Pará. A garota foi vítima de um ataque de onça ocorrido no último sábado (17), na aldeia Cajual, localizada na região do Rio Cururu, em Jacareacanga — área isolada situada a cerca de 400 quilômetros de Itaituba.
O incidente ocorreu no momento em que a criança acompanhava os avós em uma área de plantio da comunidade. Ao se deslocar alguns metros até um igarapé próximo para beber água, a menina foi surpreendida e atingida pelo fêmea de felino, sofrendo graves lesões concentradas na região da cabeça. Os familiares atenderam aos gritos de socorro, encontrando a vítima já desmaiada no local do ataque.
Após a mobilização imediata dos moradores, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) enviou uma embarcação rápida do tipo voadeira para prestar o resgate emergencial, contando com o suporte inicial do avô da criança, que atua como agente comunitário de saúde indígena. O animal foi capturado e sacrificado pela comunidade, seguindo os ritos e costumes tradicionais do povo Munduruku.
Logística de resgate aéreo
O transporte da paciente até a estrutura hospitalar exigiu uma operação logística complexa de mais de quatro horas devido ao isolamento geográfico da Terra Indígena Munduruku. A criança enfrentou cerca de uma hora e meia de deslocamento fluvial de voadeira até a pista de pouso, onde embarcou em um avião monomotor providenciado pela Sesai.
O voo até o município de Itaituba durou cerca de duas horas e vinte minutos. Ao desembarcar na cidade, a menina foi imediatamente transferida em ambulância para a UTI do Hospital Regional do Tapajós.
Consultada sobre o quadro clínico atualizado e a evolução dos procedimentos cirúrgicos da paciente, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) comunicou que não divulgará boletins médicos formais referentes ao atendimento da criança.








