Clube amazonense acumula lances polêmicos na Série B e cobra atuação da CBF diante de supostos erros recorrentes da arbitragem.
As queixas da torcida e do técnico Guilherme Alves não são casos isolados: uma análise técnica dos últimos jogos aponta que o Amazonas FC tem sido sistematicamente prejudicado por decisões da arbitragem em partidas fora de casa pela Série B do Campeonato Brasileiro. No centro do debate está Ednailson Rozenha, presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF) e, desde março de 2025, vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Embora tenha assumido o cargo com o discurso de valorizar o futebol do Estado, Rozenha tem sido cobrado por sua postura diante dos erros que têm afetado o principal representante do Amazonas na competição nacional. Torcedores e dirigentes questionam o silêncio do dirigente, que, mesmo ocupando uma das vice-presidências da entidade máxima do futebol brasileiro, ainda não se manifestou publicamente sobre os episódios envolvendo o clube manauara.
Na última terça-feira (29), após a derrota para o Remo no Mangueirão, um lance não marcado de pênalti sobre o atacante Kevin revoltou o técnico Guilherme Alves. “Revendo o vídeo cinco vezes, é claro: o pênalti existiu. Não chamar o VAR é inadmissível”, afirmou o treinador em coletiva pós-jogo. Outro momento controverso foi a expulsão do volante Alyson, no início do segundo tempo, enquanto faltas semelhantes cometidas por jogadores do Remo não tiveram a mesma punição.
Imagens do lance circulam nas redes sociais e reforçam a reclamação do clube amazonense. Para o departamento de futebol do Amazonas, a falta de critério da arbitragem tem comprometido diretamente os resultados em campo.
Histórico de decisões contestadas
Os episódios recentes se somam a outros já registrados na atual e na última temporada. Segundo o canal Tabela On, especializado em análises da Série B e C, o Amazonas já foi alvo de ao menos cinco decisões polêmicas em jogos como visitante. No empate contra o Atlético Goianiense, por exemplo, um possível pênalti por toque de mão de Raí Ramos e um gol anulado por falta discutível geraram revolta na comissão técnica.
Em 2024, contra o Novo Horizontino, outro lance decisivo foi alvo de críticas: um escanteio polêmico nos acréscimos resultou no gol de empate da equipe paulista. Coincidentemente, a arbitragem era a mesma do jogo contra o Remo, conduzida por Raí Ramos.
A recorrência de erros reforça o sentimento de que o clube enfrenta mais obstáculos fora das quatro linhas do que apenas o time adversário. A subjetividade na utilização do VAR, especialmente na definição do chamado “ponto de restauração”, tem sido citada como um dos fatores de insegurança jurídica nas decisões.
Silêncio de Rozenha incomoda torcedores
Desde que assumiu a vice-presidência da CBF, Rozenha afirmou que seu compromisso seria “puxar a sardinha” para o futebol amazonense. No entanto, até o momento, não houve qualquer posicionamento público diante dos casos envolvendo o Amazonas FC. Como dirigente da cúpula da CBF — entidade responsável pela nomeação de árbitros, treinamento de operadores do VAR e fiscalização do cumprimento das regras —, espera-se dele uma postura ativa na defesa dos clubes do estado.
O questionamento, agora, vai além do campo técnico: torcedores se perguntam se há vontade política para enfrentar o problema. “Onde está a ação concreta?”, cobram páginas de torcedores nas redes sociais.
Apesar das dificuldades, equipe mostra evolução
Mesmo diante da derrota para o Remo e jogando com um a menos desde os três minutos do segundo tempo, o Amazonas teve mais finalizações (17 a 14) e criou boas oportunidades. O desempenho foi elogiado pelo técnico Guilherme Alves, que assumiu recentemente o comando da equipe. “Estamos numa posição ruim, é a nossa realidade. Mas jogando como hoje, dias melhores virão”, afirmou.
O clube segue fora da zona de classificação e ainda luta contra o rebaixamento, mas mostra sinais de evolução dentro de campo.
Clube e torcida pedem respeito
A diretoria do Amazonas FC cobra mais transparência nos critérios de arbitragem, especialmente em jogos fora do estado. A torcida, apaixonada e fiel, também faz sua parte, protestando de forma pacífica nas redes e nas arquibancadas. Para muitos, o sentimento de boicote não é mais teoria da conspiração: é a conclusão lógica diante da repetição de injustiças.
A Série B continua, e a Onça Pintada promete seguir lutando por seus objetivos. Mas para que o desempenho em campo se transforme em resultados, é necessário garantir condições equitativas. Afinal, a arbitragem não pode ser um adversário extra na caminhada da equipe amazonense.
Fonte: CM7








