Relatório aponta omissão de gastos e possível favorecimento a empresários com contratos milionários com a Prefeitura
Enquanto a cidade enfrentava dias de caos por causa das fortes chuvas e alagações, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), escolheu o Caribe como destino para aproveitar o Carnaval. A decisão, que gerou revolta entre os manauaras, agora também levanta sérias suspeitas no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).
Segundo o Radar Amazônico, o relatório do TCE aponta que a viagem do prefeito foi cercada de omissões e inconsistências. Não há comprovação clara da origem dos recursos utilizados, e há indícios de que empresários com contratos ativos com a Prefeitura podem ter financiado parte dos custos.
O prefeito apresentou apenas dois recibos, totalizando R$ 30 mil — valor que, coincidentemente, é o mesmo de uma garrafa de champanhe servida durante a festa de aniversário de Izabelle Fontenelle, primeira-dama de Manaus, comemorado no Caribe. A comemoração foi marcada por luxo, convidados seletos e ostentação.
Mas o relatório vai além: não há detalhes sobre despesas com hospedagem, alimentação e transporte. E mais — empresas como MURB Manutenção e Serviços Urbanos, Grafisa Gráfica, Construtora Rio Piorini e Construtora Royal Tech, todas com contratos com a Prefeitura (alguns por dispensa de licitação), são citadas como possíveis patrocinadoras da viagem.
A Royal Tech, por exemplo, recebeu mais de R$ 7 milhões em contratos prorrogados durante a atual gestão. Ao todo, os contratos ativos das empresas citadas somam impressionantes R$ 418 milhões entre 2020 e 2025.
Apesar da defesa afirmar que não há contratos com os empresários envolvidos, os dados técnicos analisados pelo TCE-AM contradizem essa versão. O relatório conclui que há fortes indícios de favorecimento e violação de princípios básicos da administração pública.
Diante disso, os auditores do Controle Externo sugeriram que o processo tenha continuidade. Embora ainda não se fale em prejuízo direto aos cofres públicos, o TCE recomendou ao Tribunal Pleno o prosseguimento da apuração.
Agora, cabe ao colegiado do TCE decidir: o caso será arquivado ou seguirá adiante? Se a recomendação for acatada, o processo pode resultar em punições administrativas, como multa, e até no envio dos autos ao Ministério Público para possíveis responsabilizações civis e criminais.
Paralelamente, o Ministério Público já conduz sua própria investigação sobre o caso. O Radar Amazônico também teve acesso aos recibos e aos bilhetes de embarque de David Almeida e Izabelle Fontenelle. O material está disponível para consulta.








