Apresentadora e influenciadora relatam os impactos emocionais da condição; especialistas alertam para diagnóstico precoce e tratamentos disponíveis
Xuxa Meneghel, uma das personalidades mais queridas do Brasil, tem se posicionado de forma corajosa sobre um tema ainda delicado: a alopecia androgenética feminina, condição que atinge milhões de mulheres, especialmente com o avanço da idade. A apresentadora revelou como a perda de cabelo impacta sua vida pessoal e profissional, trazendo à tona um debate necessário sobre os efeitos emocionais da calvície nas mulheres
Mas ela não está sozinha. Franciny Ehlke, influenciadora digital com milhões de seguidores nas redes sociais, também compartilhou recentemente sua luta contra a queda de cabelo, revelando que perdeu fios por conta do estresse extremo e foi diagnosticada com alopecia. “Cheguei a um ponto de não conseguir mais me reconhecer no espelho”, disse em entrevista à Folha, destacando a dimensão emocional do problema.
Segundo o dermatologista Dr. Cristiano Kakihara, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), existem diferentes tipos de alopecia, sendo a androgenética a mais comum. “Ela é causada pela interação dos hormônios masculinos com os folículos capilares, levando ao afinamento e enfraquecimento progressivo dos fios, principalmente nas regiões frontal e no topo da cabeça”, explica.
O especialista destaca que, ao contrário do eflúvio telógeno — que está relacionado a eventos como estresse, traumas físicos ou doenças sistêmicas —, a alopecia androgenética tem causas hormonais e genéticas. Porém, ambas impactam diretamente na autoestima. “A relação entre cabelo e identidade é muito forte, especialmente para as mulheres. Quando o cabelo começa a cair, não é apenas uma questão estética, mas emocional.”
Estima-se que até 50% das mulheres acima dos 50 anos possam ser afetadas por algum tipo de alopecia, mas o problema pode surgir ainda na juventude, como no caso de Franciny. “É um alerta para que as mulheres se atentem aos sinais do corpo e ao impacto do estresse crônico sobre a saúde”, reforça Kakihara.
Tratamentos e acolhimento
Felizmente, a medicina dermatológica tem avançado. Os tratamentos variam de acordo com a causa e a gravidade do quadro, incluindo medicações tópicas, orais, terapias a laser, infiltrações capilares e, em casos mais graves, transplante capilar. “O diagnóstico precoce faz toda a diferença para preservar os fios e recuperar a autoestima da paciente”, afirma o médico.
O exemplo de mulheres públicas como Xuxa e Franciny é fundamental para desmistificar a alopecia feminina. Ao falarem abertamente sobre o assunto, elas ajudam a romper o silêncio, reduzir o estigma e encorajar outras mulheres a buscar tratamento com acolhimento e sem culpa.








