Força Integrada de Combate ao Crime Organizado cumpriu mandados nesta quarta; ação busca desarticular núcleo jurídico que atuaria no sistema prisional e é desdobramento da Xeque-Mate
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Amazonas (Ficco/AM) executou, na manhã desta quarta-feira (6) em Manaus, uma operação que mirou cinco advogados e um escritório, no que as autoridades descrevem como esforço para desmontar o setor jurídico e operacional de uma facção criminosa que atua dentro do sistema prisional estadual.
Segundo a Ficco, a ofensiva cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e cinco ordens de busca e apreensão em endereços residenciais e profissionais ligados aos investigados. A medida integra um aprofundamento das investigações iniciadas pela Operação Xeque-Mate.
Entre os alvos com mandados constam os nomes de Janai de Souza Almeida, Alison Joffer Tavares Canto de Amorim, Ramyde Washington Abel Caldeira Doce Cardozo e Gerdeson Zuriel de Oliveira Menezes — todos apontados pela Justiça com ordens de prisão preventiva e buscas nas imediações de seus locais de trabalho e moradia.

A ação é um desdobramento da Operação Xeque-Mate e tem como objetivo desarticular o núcleo jurídico e operacional de uma facção criminosa com atuação no sistema prisional do estado. O grupo é responsável por intermediar comunicações ilícitas entre lideranças internas e externas, além de facilitar a continuidade de ordens criminosas de caráter interestadual e transnacional.
É importante mencionar, que a operação foi acompanhada por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Amazonas (OAB-AM), assegurando o estrito cumprimento das garantias legais, o respeito aos direitos e prerrogativas individuais e a observância dos preceitos constitucionais que regem a atuação das autoridades no âmbito do Estado Democrático de Direito.
Durante as investigações, apurou-se que profissionais com acesso privilegiado ao sistema prisional vinham replicando ordens, bilhetes e deliberações estratégicas de uma facção com atuação predominante na Região Norte, simulando atos de advocacia para ocultar comunicações ilícitas e repasses financeiros.
As investigações também revelaram que as prerrogativas profissionais estavam sendo utilizadas de forma indevida, com o objetivo de manter a hierarquia da organização criminosa dentro e fora do sistema prisional. Essa estrutura permitia a coordenação de represálias, pactos interestaduais e repasses de recursos ilícitos.
A Ficco/AM é composta pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria de Estado de Segurança Pública, Polícia Civil do Amazonas, Polícia Militar do Amazonas, Secretaria Executiva-Adjunta de Inteligência, Secretaria de Administração Penitenciária e Secretaria Municipal de Segurança e Defesa Social. O grupo tem como objetivo promover a integração e a cooperação entre as forças de segurança em ações de prevenção e repressão ao crime organizado e à criminalidade violenta.








