Estrutura de 320 metros no KM 268 deve eliminar filas e atoleiros na travessia por balsa; licença do Ipaam exige rigoroso controle de resíduos
Um passo decisivo para a logística da BR-319 foi dado nesta quinta-feira (14/05). O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) emitiu a licença de instalação que autoriza a Construtora Etam Ltda a implantar o canteiro de obras da ponte sobre o rio Igapó-Açu. Localizada no KM 268, no município de Borba, a estrutura ficará no coração do chamado “trecho do meio”, a área mais crítica da rodovia.
A nova ponte terá aproximadamente 320 metros de extensão, substituindo o atual sistema de balsas que, historicamente, causa atrasos, filas e dificuldades extremas durante o período de chuvas.
- Voz do Governo: O governador Roberto Cidade destacou que a obra é uma bandeira antiga de sua trajetória pública. “Sabemos das dificuldades de quem depende de balsa. Essa ponte vai agilizar o transporte de pessoas e mercadorias, fortalecendo a integração dos municípios”, afirmou.
- Apoio Técnico: A licença permite a instalação de terraplenagem e produção de concreto em uma área de 2,9 hectares, gerando empregos diretos na região.
Rigor Ambiental
Por estar em uma área sensível, o Ipaam estabeleceu condicionantes rígidas para a vigência de um ano da licença:
- Monitoramento: Controle constante de emissões atmosféricas, resíduos sólidos e efluentes.
- Segurança: Apresentação obrigatória de Planos de Gerenciamento de Risco e Atendimento de Emergência.
- Proibições: O documento não autoriza a supressão de vegetação nem intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs) sem novas autorizações específicas.
“O trabalho do Ipaam é conciliar infraestrutura com o respeito à legislação”, reforçou o diretor-presidente do órgão, Gustavo Picanço.
Impacto da ponte no ‘trecho do meio’
A BR-319 é o maior símbolo do desafio entre desenvolvimento e preservação na Amazônia. Em 2026, o início da ponte sobre o Igapó-Açu representa um avanço técnico em um dos pontos mais isolados do estado. Geograficamente, este trecho é cercado por Unidades de Conservação e Terras Indígenas, o que explica o rigor das condicionantes do Ipaam.
Segundo especialistas em logística, a substituição da balsa por uma ponte fixa reduz o tempo de travessia de horas (ou até dias em épocas de seca severa ou cheia extrema) para apenas alguns minutos. Isso diminui o custo do frete para o interior do Amazonas e para Porto Velho (RO). O desafio para a Construtora Etam e para o Governo do Amazonas será garantir que a instalação do canteiro não gere um “efeito borda” — quando a infraestrutura atrai desmatamento ilegal no entorno — mantendo a integridade do ecossistema local enquanto a trafegabilidade é restaurada.








