Boletim revela que VSR impulsiona casos em crianças menores de 2 anos, enquanto Influenza A avança no Sul e Sudeste do país
O mais recente Boletim InfoGripe da Fiocruz, referente à Semana Epidemiológica 18 (3 a 9 de maio), revela um país em alerta máximo contra vírus respiratórios. O aumento de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atinge todas as regiões, desenhando um perfil de risco bem definido entre os extremos de idade.
- Vírus Sincicial Respiratório (VSR): É o grande impulsionador das hospitalizações de crianças menores de 2 anos. Nas últimas semanas, sua prevalência entre casos positivos saltou para 41,5%.
- Influenza A: Domina a mortalidade, respondendo por 51,8% dos óbitos por SRAG. O vírus está em ascensão na Região Sul e em estados como SP, ES, RO e TO, atingindo severamente a população acima de 65 anos.
- Rinovírus: Ainda mantém a maior prevalência no acumulado do ano (36,1%) e contribui para o aumento de casos no Amazonas, Amapá, Rio e estados do Sul.
- Covid-19: Embora em baixa incidência geral, permanece como a segunda maior causa de morte entre idosos.
Capitais e estados em alerta
Dezesseis estados e 15 capitais (incluindo Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro e Belém) apresentam níveis de atividade de SRAG em alerta ou alto risco, com tendência de crescimento a longo prazo. No Norte, enquanto o VSR mostra sinais de estabilização em estados como o Amazonas e Roraima, a Influenza A e o Rinovírus mantêm a pressão sobre o sistema de saúde.

Prevenção
A pesquisadora Tatiana Portella destaca que a vacina é a barreira principal contra óbitos:
- VSR: Vacinação para gestantes (a partir da 28ª semana) protege os bebês nos primeiros meses. Anticorpos monoclonais estão disponíveis no SUS para prematuros.
- Influenza: Vacina anual destinada a idosos, gestantes, crianças até 6 anos e pessoas com comorbidades.
Raio-X da SRAG em 2026
Até o momento, o Brasil notificou 57.585 casos de SRAG em 2026. A análise por faixa etária revela uma “divisão de perigo”: a incidência é maior na base da pirâmide (crianças pequenas, por VSR e Rinovírus), enquanto a letalidade se concentra no topo (idosos, por Influenza A e Covid-19).
Em Manaus, o monitoramento do InfoGripe indica que a capital amazonense integra o grupo de risco com sinal de crescimento de tendência de longo prazo. Embora os casos de VSR mostrem sinais de interrupção de subida na região Norte, a circulação combinada com o Rinovírus exige que pais e responsáveis mantenham o calendário vacinal e os cuidados de higiene rigorosos. O cenário nacional reforça que, apesar da estabilização em faixas etárias intermediárias, a proteção aos mais vulneráveis (bebês e idosos) é o desafio central para as próximas seis semanas.








