Ciberlab do MJSP identificou 1,9 mil anúncios no Google e pechinchas falsas em redes sociais
A edição da Medida Provisória (MP) que proibiu o funcionamento de casas de apostas de quota fixa no Brasil desencadeou uma ofensiva ostensiva do Governo Federal para conter a migração ilícita e a oferta clandestina do serviço no ambiente virtual. Uma força-tarefa integrada entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério da Fazenda (MF) derrubou 506 sites com indícios de oferta irregular de jogos de azar e passou a monitorar uma rede de canais no aplicativo Telegram que reúne 212,6 mil membros.
O monitoramento técnico é liderado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), órgão vinculado ao MJSP. Em relatório técnico divulgado após a publicação da norma na sexta-feira (25/09), o laboratório identificou que propagandas patrocinadas continuavam em veiculação em grandes plataformas digitais como Meta, Google e TikTok. No buscador do Google, foram mapeados 1,9 mil anúncios promovendo novos cadastros com bônus financeiros do tipo “convide amigos e ganhe R$ 888,00” e “ganhe R$ 50,00 grátis”. A MP estabelece o prazo de dez dias para o encerramento definitivo de anúncios pré-existentes e proíbe qualquer nova campanha publicitária.
A varredura nas redes sociais revelou ainda o uso de táticas de dissimulação de marca. Na plataforma da Meta, o Ciberlab identificou anúncios veiculados por páginas com nomes falsos e links direcionados para domínios maquiados, camuflando o destino real do tráfego para burlar os filtros da legislação. No Telegram, os agentes identificaram 43 grupos e canais ativos com ofertas ilegais que prometiam “260% de lucro mensal”, uso de “robôs” de apostas e índices de acerto de até 99,8%. A lista de contas foi repassada para providências administrativas e sanções da Secretaria de Prêmios e Apostas.
Paralelamente à fiscalização pública, dados levantados pela plataforma Bet Legal, mantida pela empresa de cibersegurança Iron Security, apontam o surgimento de 440 novos sites de apostas sem qualquer registro ou controle territorial no país após o anúncio da proibição. A força-tarefa ministerial reforçou que a vigilância sobre as big techs será mantida para impedir que a saída formal do setor seja contornada pela proliferação de links espelho e domínios hospedados no exterior.
“A atuação integrada busca impedir que a retirada formal das bets seja contornada pela migração das atividades para redes sociais, aplicativos, grupos fechados, canais clandestinos ou plataformas hospedadas fora do país”, ressaltou o Ministério da Justiça e Segurança Pública em nota oficial.








