Moradores da Vila do Jacaré, em Manacapuru, enfrentam mau cheiro e falta de água; emergência atinge 40 municípios e 100 mil famílias
A severa estiagem que atinge o Amazonas provocou cenas de colapso ambiental na comunidade Vila do Jacaré, localizada na zona rural de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus). Milhares de peixes foram encontrados mortos ao longo das margens e espalhados pelo espelho d’água represado pela retração dos lagos locais.
O forte odor da decomposição dos animais passou a afetar diretamente o cotidiano dos ribeirinhos, que dependem diretamente dos recursos hídricos para consumo e subsistência.
A degradação do ecossistema aquático na zona rural ocorre em meio a um cenário de múltiplas pressões ambientais, onde os moradores enfrentam simultaneamente a densa fumaça das queimadas e o isolamento provocado pela seca.
Embora a drástica redução do volume dos rios e o aquecimento das águas sejam apontados como fatores determinantes, autoridades ambientais ressaltam que apenas laudos técnicos conclusivos poderão ratificar as causas exatas do fenômeno na Vila do Jacaré.
O panorama enfrentado em Manacapuru reflete a extensão da crise climática no território amazonense. Relatório oficial do Governo do Estado do Amazonas aponta que 40 dos 62 municípios estão em situação de emergência, contabilizando mais de 101 mil famílias impactadas.
O encalhe de embarcações compromete a trafegabilidade fluvial, encarece o transporte de insumos básicos e dificulta o acesso a serviços essenciais em comunidades periféricas da calha do Rio Solimões.








