Operação Dinastia do Lago investiga fraudes em licitações e lavagem de dinheiro com origem na prefeitura
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do cargo do prefeito de Coari (a 363 quilômetros de Manaus), Adail Pinheiro (Republicanos). A decisão fundamenta os mandados cumpridos na manhã desta quarta-feira (16/09) pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Dinastia do Lago, que investiga um esquema estruturado de fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro no município da calha do Rio Solimões.
A tramitação da apuração perante o Supremo justifica-se pelo envolvimento de autoridades com foro por prerrogativa de função, a exemplo do deputado federal Adail Filho (MDB-AM) — filho do prefeito afastado —, que teve inquérito instaurado por Moraes em abril de 2026 sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.
O parlamentar nega o cometimento de qualquer ilícito. A Operação Dinastia do Lago cumpre 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, além do afastamento temporário de outros servidores públicos municipais.
As investigações policiais começaram após a apreensão em flagrante de R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo em maio de 2025, transportados por três empresários durante um voo entre Manaus e Brasília. O rastreamento do fluxo financeiro indicou a existência de uma engrenagem coordenada entre empresários, terceiros e agentes públicos destinada a direcionar certames licitatórios e realizar pagamentos de vantagens indevidas.
Em tese, os fatos investigados configuram crimes de organização criminosa, fraude a licitações, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.
“A decisão do Supremo Tribunal Federal ampara as diligências da Polícia Federal para estancar o direcionamento de verbas públicas e apurar as movimentações financeiras destinadas a ocultar os reais beneficiários do esquema”, aponta a representação policial.








