Em sessão plenária marcada por insultos, conselheiro chama programa educacional de “desfaçatez” e sugere intervenção da Polícia Federal na Secretaria de Educação
O retorno do conselheiro Ari Moutinho Júnior ao Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) foi marcado por um clima de confronto aberto e acusações gravíssimas que balançaram as estruturas da Corte nesta segunda-feira (09/02).
Durante a sessão plenária, Moutinho não poupou adjetivos ao classificar a gestão educacional do estado como uma “verdadeira desfaçatez”, chegando a afirmar que os três últimos secretários da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar — incluindo o seu colega de tribunal, Luís Fabian Barbosa — deveriam estar presos.
A “mão invisível” da Seduc
O estopim da discussão foi o lançamento do Programa de Apoio à Melhoria da Qualidade da Educação. Ari Moutinho parabenizou prefeitos que boicotaram o evento e disparou contra a Secretaria de Estado de Educação, mencionando a existência de uma suposta “mão invisível” que operaria na pasta.
“Temos uma educação assaltada diariamente. Esse pacto deveria começar com a Polícia Federal dentro da Seduc”, bradou o conselheiro, que ainda chamou Luís Fabian de “vergonha para o Estado” e o desafiou a abrir seus sigilos fiscal e telefônico.
Resposta e postura institucional
Alvo direto dos ataques, o conselheiro Luís Fabian Barbosa adotou um tom de sobriedade para rebater as ofensas. Afirmou que não perderia tempo respondendo a “impropérios” e que sua missão no Tribunal não era buscar plateia. “Existem autoridades constituídas para investigarem quaisquer que sejam as eventuais denúncias. Eu não farei uso nem da minha veste, nem do conselho para buscar plateia”, rebateu Fabian, reforçando a confiança nas instituições democráticas.
O embate ocorre em um contexto de extrema tensão interna. Ari Moutinho retornou recentemente à Corte após meses de afastamento judicial e administrativo. Ele é réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por um processo de injúria e ameaça contra a atual presidente do TCE-AM, Yara Amazônia Lins, a quem teria ofendido com palavras de baixo calão em outubro de 2023.
Na época, Moutinho negou as acusações, atribuindo-as a uma perseguição política após a eleição interna da Casa.








