Movimentação de Amom Mandel para o Republicanos reorganiza forças; União Brasil e PL despontam com chapas pesadas, enquanto veteranos do PSD e Republicanos enfrentam risco de “canibalização” de votos
Os bastidores políticos do Amazonas já operam em voltagem máxima para a eleição de deputado federal. O desenho atual das chapas rascunha um cenário de forte renovação em Brasília: a avaliação é de que até quatro das oito vagas disponíveis para o estado podem mudar de mãos. Se confirmada, esta será uma das trocas de guarda mais profundas dos últimos anos, impulsionada por nomes que chegam com recordes de votação e bases consolidadas.
O fato novo que reorganizou o tabuleiro foi a ida de Amom Mandel para o Republicanos, partido de Silas Câmara. A movimentação não apenas estreitou o funil interno, como acendeu o alerta para o risco de “canibalização” — quando candidatos pesados disputam votos dentro da mesma legenda, podendo deixar nomes com mandato de fora da lista dos eleitos.
Novas forças no radar
Quatro nomes aparecem no topo das projeções, sustentados por recall eleitoral e visibilidade institucional:
- Sargento Salazar (PL): Apontado como potencial fenômeno de votos, lidera sondagens e deve ser o “puxador” da chapa liberal.
- Roberto Cidade (União): O deputado estadual mais votado da história da ALE-AM chega com musculatura ampliada após a disputa pela Prefeitura de Manaus e forte penetração no interior.
- Joana Darc (União): Com votação expressiva em 2022, a parlamentar consolidou suas bases e entra no pleito com fôlego para garantir uma vaga federal.
- Ariel Almeida (Avante): Filha do prefeito David Almeida, Ariel herda a estratégia bem-sucedida de lideranças históricas como Arthur Neto e Serafim Corrêa, que projetaram sucessores no meio do mandato.
Chapas sob pressão e o ‘efeito sobra’
A disputa interna será o grande desafio de 2026. No União Brasil, a chapa é considerada uma das mais pesadas, reunindo Fausto Júnior, Cidade e Joana Darc. O partido sonha com três vagas, mas a realidade proporcional pode forçar uma disputa fratricida. No PSD, de Omar Aziz, a pressão recai sobre os veteranos Átila Lins e Sidney Leite, em um cenário onde as projeções indicam a manutenção de apenas um dos mandatos.
Nomes como o de Jesus Alves, ex-secretário de habitação, e o experiente Alfredo Nascimento (PL) também figuram como “elementos surpresa”. Jesus aposta na vitrine social da casa própria, enquanto Alfredo pode se beneficiar do quociente eleitoral inflado pelo desempenho de Salazar.
Realidade do Interior
Diferente de pleitos anteriores, o “voto de opinião” da capital deve pesar mais que as promessas de transferências massivas no interior. Analistas apontam que a fragmentação em cidades como Parintins e Itacoatiara impede o surgimento de “fenômenos isolados”, forçando os candidatos a buscarem um desempenho coletivo mais robusto dentro de suas siglas.
O tabuleiro está montado. Entre a experiência dos veteranos e a energia dos novos postulantes, o eleitor amazonense se prepara para uma eleição onde o cálculo matemático será tão decisivo quanto o carisma nas urnas.








