Decisão administrativa ocorre três anos após episódio em que o promotor comparou a advogada Catharina Estrella a uma ‘cadela’ durante sessão do Tribunal do Júri
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu, nesta terça-feira (28), punir administrativamente o promotor de Justiça aposentado Walber Nascimento. O julgamento encerra um processo que tramitava há quase três anos, originado por ofensas proferidas pelo então representante do Ministério Público contra a advogada Catharina Estrella, durante um julgamento em Manaus.
O episódio ocorreu em 2023, durante uma sessão do Tribunal do Júri na capital amazonense. Na ocasião, Walber Nascimento utilizou termos considerados misóginos e chegou a comparar a advogada a uma “cadela”. O caso ganhou repercussão nacional, mobilizando entidades de classe e levantando críticas sobre a postura do magistrado que presidia a sessão, acusado de omissão pela defesa de Estrella.
Reação e decisão
Para Catharina Estrella, a punição administrativa representa o fechamento de um ciclo doloroso de violência profissional e de gênero. “Hoje o CNMP fez justiça por mim, pelas advogadas, pelas mulheres do nosso país”, celebrou a advogada em suas redes sociais.
A advogada Soraia Mendes, que atuou na defesa de Catharina, reforçou que o caso é um exemplo de resistência contra a violência institucional. Segundo a jurista, os ataques começaram após Catharina reagir a falas anteriores do promotor que já ofendiam mulheres de forma generalizada durante a audiência.
“Ela não se calou diante da violência e passou a ser ofendida como mulher e violada em suas prerrogativas profissionais”, afirmou Soraia Mendes.
A decisão do CNMP é vista por especialistas como um precedente importante para o respeito às prerrogativas da advocacia e para o combate ao machismo estrutural dentro das cortes de Justiça. Mesmo com o promotor já estando aposentado, a punição administrativa é registrada em seu histórico funcional, servindo como uma sanção ética e moral diante da conduta perante o Tribunal.








