Especialista orienta sobre a importância de planejamento, previsibilidade e equilíbrio emocional para crianças com autismo, TDAH e outras condições durante o recesso escolar
Com a chegada das férias escolares de julho, muitas famílias reorganizam a rotina em casa para atender ao tempo livre das crianças. No caso das famílias atípicas, esse período exige atenção redobrada para que o recesso não se torne um gatilho de desregulação emocional e impactos no desenvolvimento.
A neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, CEO da Potência – Clínica de Desenvolvimento Infantil, explica que, para crianças neurodivergentes, como autistas ou com TDAH, a previsibilidade e a constância da rotina são elementos estruturantes. “As férias não precisam ser uma ruptura. Elas podem ser uma pausa planejada, com adaptações que respeitem os horários de sono, alimentação, terapias e momentos de lazer da criança”, orienta.
Segundo Silvia, interromper abruptamente o fluxo das atividades habituais pode gerar sobrecargas sensoriais, quadros de irritabilidade e até regressos em habilidades já conquistadas. Por isso, o ideal é manter as terapias previstas no plano de intervenção, adaptando os horários para incluir passeios e atividades recreativas. “É possível fazer pequenos ajustes, mas sem perder o fio condutor do cuidado com o desenvolvimento da criança”, afirma.
Para tornar o período de recesso mais tranquilo, Silvia sugere algumas estratégias simples:
- Manter uma rotina visual: criar um calendário com imagens ou símbolos das atividades do dia ajuda a criança a entender o que vai acontecer e reduz a ansiedade;
- Preservar horários fixos: manter padrões de sono, alimentação e terapias, mesmo com flexibilidade nos horários, evita desorganização sensorial e emocional;
- Inserir atividades estruturadas: mesmo em casa, propor tarefas com começo, meio e fim (como jogos, culinária ou artes) ajuda a manter o foco e a organização mental;
- Incluir a criança nas escolhas: permitir que ela participe de decisões simples sobre os passeios ou brincadeiras do dia favorece a autonomia e o engajamento;
- Alternar momentos de estímulo e pausa: intercalar atividades mais intensas com períodos de descanso previne crises de sobrecarga;
- Comunicar antecipadamente mudanças: avisar com antecedência sobre passeios, visitas ou alterações na rotina contribui para a segurança emocional da criança.
Ela também reforça que a sobrecarga dos adultos durante as férias é comum, e por isso o planejamento coletivo é essencial. “O bem-estar familiar é parte essencial da estabilidade da criança. O ambiente emocionalmente equilibrado favorece todas as relações dentro de casa.”
Com organização e escuta ativa, o recesso pode ser uma oportunidade de conexão, sem prejuízo para o desenvolvimento das crianças neurodivergentes e sem sobrecarregar a família.








