Investigações revelam que agentes saíam da prisão militar para cometer crimes para facções; sargento mentor de atentado a músico vai a júri
A unidade prisional da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), localizada no bairro Monte das Oliveiras, zona norte de Manaus, vive sob os holofotes da crise de segurança. Com um contingente de 70 policiais presos, a unidade deixou de ser apenas um local de custódia administrativa para se tornar, segundo investigações, um “escritório de crimes” para agentes de alta periculosidade.
O local deixou de custodiar os militares, que foram transferidos na manhã desta terça-feira (12/05) para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM/AM), localizada na rodovia BR-174, gerando confusão e protesto por parte dos familiares dos presos.
O Comando-Geral da PM aponta que o perfil de alguns custodiados ultrapassa o desvio de conduta comum, alcançando a atuação direta em milícias e pistolagem.
- Bento Luciano de Souza (Cabo): Com expulsão iminente, Bento é figura central na Operação Milícia Dourada (2018), acusado de participar de um grande roubo de ouro em uma residência de luxo na Ponta Negra. Seu histórico na Justiça Militar é extenso e repleto de reincidências.
- Bruno Cezanne Pereira (Soldado): Um dos nomes mais frequentes nos tribunais, Cezanne possui 56 processos em seu nome no TJ-AM. Já condenado a quase 13 anos por matar um colega de farda, ele foi pivô de polêmica recente ao ser absolvido de acusações de milícia em 2015, decisão que o Ministério Público tenta reverter.
- Saimon Macambira Jezini (Sargento): Preso na Operação Desbarranco (outubro de 2025), Saimon é acusado de ser o mentor de um atentado brutal contra o músico “Dubarranco” e sua família (incluindo uma criança de 4 anos). Em sua residência, a polícia encontrou um arsenal com mais de 20 armas e farta munição.

‘Portão aberto’ do crime
A investigação mais alarmante indica que esses policiais não estavam apenas cumprindo pena. Há indícios de que os detentos de alta periculosidade conseguiam sair da unidade para prestar serviços de “segurança” e execução para facções criminosas que atuam no Amazonas. Esse cenário de descontrole foi um dos principais motivadores para o endurecimento das medidas de transferência para unidades de segurança máxima na BR-174, visando cortar o cordão umbilical entre a criminalidade fardada e as ruas.
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Como funciona a expulsão de um Policial Militar
O processo para retirar um agente da corporação após crimes graves segue ritos específicos que garantem a ampla defesa, mas que em 2026 têm sido acelerados devido à gravidade das denúncias.
De acordo com o Código de Ética e Disciplina da PMAM, existem três caminhos principais para a exclusão:
- Conselho de Disciplina: Para praças (soldados, cabos e sargentos) com menos de 10 anos de serviço.
- Conselho de Justificação: Voltado para oficiais ou praças com estabilidade assegurada.
- Sentença Judicial Transitada em Julgado: Quando a condenação penal por crime doloso é superior a dois anos, a Justiça pode determinar a perda do cargo público.
Segundo a Corregedoria-Geral do Amazonas, em 2025, o estado registrou um aumento de 12% nas exclusões “a bem da disciplina”, reflexo da política de “tolerância zero” contra milícias. O desafio em 2026 permanece sendo a manutenção da segurança nas unidades de custódia, evitando que a expertise técnica dos policiais seja utilizada para fortalecer o crime organizado enquanto aguardam o desfecho de seus extensos prontuários jurídicos.








