Caprichoso contesta resultado, abandona apuração e ameaça judicializar disputa após denúncias de favorecimento e notas incoerentes
O 55º Festival Folclórico de Parintins, realizado entre 27 e 29 de junho de 2025, foi marcado por uma apuração polêmica que reacendeu debates sobre a transparência e a imparcialidade do evento, um dos maiores espetáculos culturais da Amazônia. A vitória do Boi Garantido, que conquistou seu 33º título, foi ofuscada por protestos do Boi Caprichoso, que acusou jurados de favorecimento e irregularidades no processo de avaliação. As tensões culminaram na retirada da diretoria do Caprichoso da sessão de apuração, gerando uma onda de críticas nas redes sociais e levantando questionamentos sobre a profissionalização do festival.
Estopim da Controvérsia
Durante a apuração, realizada em 30 de junho de 2025 no Bumbódromo, o presidente do Boi Caprichoso, Rossy Amoedo, levantou uma questão de ordem, contestando a atuação de dois jurados que, segundo ele, já haviam sido impugnados anteriormente por comportamentos que sugeriam parcialidade em favor do Boi Garantido. Amoedo alegou que esses jurados, mantidos na comissão julgadora apesar das contestações prévias, deliberadamente prejudicaram o Caprichoso, atribuindo notas incompatíveis com o desempenho de itens específicos do Garantido.
Entre as críticas, Amoedo destacou falhas no desempenho do levantador de toadas do Garantido, Davi Assayag, que, segundo ele, cometeu erros como letras erradas, descompasso com a batucada e falta de interação com o grupo de percussão. Apesar disso, Assayag recebeu nota 10 no item “Levantador de Toada”. Da mesma forma, o item “Alegoria” do Garantido, que apresentou problemas mecânicos e desfazimento de estruturas em plena arena – incidentes amplamente televisionados –, também foi agraciado com nota máxima. “Estão detonando o Caprichoso injustamente. É ridículo seguir com essa apuração. Falta de respeito com dinheiro público”, declarou Amoedo, visivelmente indignado, antes de abandonar a sessão acompanhado pela comissão do boi azul.
Amoedo fará uma coletiva de imprensa amanhã, onde exporá o nome dos envolvidos no escândalo.
Fontes ouvidas pelo PORTAL PANORAMA indicaram a possibilidade do Boi Caprichoso judicializar o resultado, em razão de comprovada fraude.
Repercussão e protestos
A saída do Caprichoso da apuração foi o estopim para uma onda de protestos que rapidamente se espalhou pelas redes sociais. Torcedores do boi azul lotaram plataformas como o X com denúncias de fraude, compartilhando prints, áudios e supostas evidências de vinculações indevidas entre os jurados contestados e membros do Garantido. Postagens como a do usuário @sickbayonetta, que acusou o Garantido de tentar influenciar jurados, e @Discordador_pro, que questionou os critérios de votação da jurada Hylnara, que teria dado notas 9 ao Caprichoso e 10 ao Garantido em todos os itens, intensificaram o clima de desconfiança.
A hashtag #ApuracaoParintins tornou-se um espaço para torcedores expressarem indignação, com muitos apontando a manutenção dos jurados contestados como uma retaliação contra o Caprichoso, que havia solicitado a impugnação de três nomes antes do festival. A Justiça, no entanto, negou os pedidos de substituição, considerando que não havia provas suficientes para afastar os jurados.
Impacto no festival e demandas por profissionalização
O Festival de Parintins, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, é financiado com recursos públicos, o que impõe a observância dos princípios da legalidade e publicidade. As denúncias de parcialidade e a percepção de falta de transparência na apuração reacenderam debates sobre a necessidade de profissionalização do evento. Críticos argumentam que a ausência de critérios claros e de um processo de seleção de jurados mais rigoroso compromete a credibilidade do festival, que atrai cerca de 120 mil visitantes e movimenta a economia local.
O Caprichoso, que buscava um tetracampeonato inédito após vitórias em 2022, 2023 e 2024, destacou a grandiosidade de suas apresentações, com alegorias tecnológicas e mensagens de resistência, como a homenagem a Chico Mendes na terceira noite. Já o Garantido, com o tema “Boi do Povo, Boi do Povão”, foi elogiado pela emoção de suas toadas, especialmente na performance de Davi Assayag com “Olhar de Curumim”, apesar das falhas apontadas.
Futuro do Festival
A controvérsia de 2025 expôs fragilidades no processo de julgamento do Festival de Parintins, que avalia 21 quesitos divididos em três blocos (musical, cenográfico-coreográfico e artístico). A manutenção de jurados questionados, mesmo após impugnações formais, e a percepção de notas incoerentes com os desempenhos observados na arena alimentaram um sentimento de injustiça entre torcedores do Caprichoso.
Para evitar que incidentes como este comprometam a reputação do festival, especialistas e torcedores defendem uma reformulação no sistema de avaliação, com maior transparência na escolha de jurados e critérios mais objetivos. A apuração, que deveria ser o ápice da celebração cultural, tornou-se um momento de divisão, evidenciando a necessidade de mudanças para preservar a essência e a credibilidade de um dos maiores eventos folclóricos do Brasil.








