Prefeito de Manaus surpreende aliados e articula candidatura própria com base em pesquisas internas que apontam alta rejeição ao senador Omar Aziz
O cenário eleitoral do próximo ano no Amazonas ganhou contornos dramáticos e imprevisíveis. O Portal Panorama obteve acesso a informações exclusivas que confirmam a decisão de Davi Almeida, atual prefeito de Manaus, de lançar sua candidatura ao governo do estado. A movimentação surpreende e contraria suas últimas declarações ao lado de seu até então aliado, o Senador Omar Aziz.
A postura de Davi Almeida é vista, em um primeiro momento, como uma ‘traição’ à aliança com o Senador Omar Aziz. O prefeito já havia declarado publicamente seu apoio a Aziz, inclusive indicando sua filha, Ariel Almeida, como possível vice na chapa formada entre PSD e Avante. Soma-se a isso o apoio incondicional à reeleição do Senador Eduardo Braga, que direcionou expressivos recursos via emendas para Manaus, fortalecendo a articulação política.
Nos corredores da política amazonense, muitos analistas já previam a reviravolta. A leitura era de que o prefeito estaria ‘administrando a situação’ com o Senador Omar Aziz, ganhando tempo para costurar, em segredo, sua verdadeira candidatura ao governo, enquanto observava atentamente as mudanças no cenário político nacional.
Para fontes próximas ao prefeito, Davi Almeida não enxerga sua estratégia como uma traição. Ele reconhece a relevância de Omar Aziz, que em tempos pretéritos foi seu mentor político, inclusive o preterindo na eleição tampão de 2017 em favor de Amazonino Mendes. No entanto, Davi Almeida defende que, além da lealdade ao grupo, é fundamental priorizar a coerência e o respeito aos números das pesquisas, que devem apontar a melhor opção para a governança do estado. Seu objetivo seria evitar o que ele, internamente, classifica como uma “catástrofe política”: a ascensão de um nome sem experiência que poderia representar um retrocesso para o Amazonas.
Pesquisas internas e alta rejeição
A tese de Davi Almeida encontra respaldo nos números. Levantamento do Instituto Real Time Big Data, de outubro de 2025, revela uma alta rejeição do Senador Omar Aziz, atingindo 41%. Além disso, fontes internas do Avante, partido do prefeito, indicam a existência de pesquisas ‘não oficiais’ que colocam Davi Almeida com ampla vantagem sobre os demais nomes que integram a aliança, incluindo o próprio Omar Aziz.
As articulações dentro do grupo político já estão em pleno vapor. A postura de Davi Almeida é pragmática, pautada estritamente na análise de dados e pesquisas. O prefeito se posiciona como a opção mais viável para o grupo, com reais chances de vitória nas eleições e de consolidar seu poder. Entre as negociações em andamento, há a possibilidade de uma reaproximação com o Governador Wilson Lima, pré-candidato ao Senado. Em caso de licença de Lima para a disputa, a pasta do governo seria entregue a Tadeu de Souza, que também é tutelado do Deputado Abdala Fraxe, ambos amigos e aliados de longa data de Davi Almeida.
Um fator de peso que fragiliza as aspirações de Omar Aziz ao governo é a posição de seu partido em nível nacional. O PSD, sigla tradicional do Centrão, tem manifestado insatisfação crescente com o governo Lula. O presidente do partido, Gilberto Kassab, já sinalizou para a possibilidade de acordos regionais que não necessariamente incluam o PT – justamente o partido do Presidente Lula, um trunfo valioso para Omar Aziz, especialmente no interior do estado, onde os programas assistenciais são cruciais para as populações mais vulneráveis.
Diante do cenário, a candidatura de Davi Almeida ao governo do estado, pelo partido Avante, parece ser um caminho sem volta, com ou sem o apoio de Omar Aziz. A Omar caberá a difícil decisão: manter-se politicamente relevante ao lado de Davi Almeida ou arriscar um naufrágio solitário. O desenrolar dessa trama promete agitar ainda mais o tabuleiro político amazonense.








