Ministro afirmou no plenário que André Mendonça pressionou a Polícia Federal para envolvê-lo em delação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou durante julgamento nesta terça-feira (15/09), que possui testemunhas para comprovar que o ministro André Mendonça exigiu da Polícia Federal (PF) a inclusão de seu nome no caso do Banco Master. A declaração ocorreu no âmbito da análise de petição que aponta supostas mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na ocasião, Moraes defendeu que o STF julgue a conduta de Mendonça já na próxima semana e exigiu que o Plenário ouça as testemunhas do episódio. O ministro classificou o procedimento contra ele como uma “investigação fraudulenta”.
“Não há como julgar hoje sem julgar terça, porque eu pergunto: quem tem medo da Polícia Federal, presidente? Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na delação premiada? E vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar”, declarou Moraes.
Bate-boca e acusações de motivação política
Moraes prosseguiu nas acusações contra o colega de bancada: “Não só policiais. Advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse…”. No mesmo momento, André Mendonça interrompeu a fala afirmando: “isso é mentira”. Moraes rebateu: “Então, vamos chamar as testemunhas?”. Mendonça aceitou a convocação, mas cravou que os depoentes “vão mentir”.
Moraes manteve o tom duro e acusou Mendonça de atuar a favor de interesses partidários: “Chamou. ‘Inclui o ministro Alexandre’. Por quê? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste País. É isto, presidente.”
Relatórios de inteligência da PF
O ministro também rebateu as críticas de que teria utilizado um documento sem valor probatório (“apócrifo”) para requerer a abertura de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A controvérsia envolve um relatório de inteligência interno produzido pela corporação.
“Não tem nenhum documento apócrifo. Todos sabem o que é um relatório de inteligência. Os relatórios de inteligência estavam registrados. É só pegar o registro, quem fez e vamos chamar aqui neste Supremo Tribunal Federal”, concluiu Moraes.








