Levantamento do instituto Direto ao Ponto revela primeira ultrapassagem da direita no estado desde 2022; empate técnico persiste, mas tendência aponta avanço conservador no interior e capital
O cenário político no Amazonas, historicamente um reduto de disputas acirradas e vitórias progressistas recentes, apresenta uma mudança de ventos significativa para a sucessão presidencial de 2026. Segundo o primeiro levantamento do ano realizado pelo instituto Direto ao Ponto Pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL) assumiu a dianteira na corrida eleitoral no estado, superando numericamente o presidente Lula (PT) no cenário estimulado.
O dado é emblemático: o Amazonas, que garantiu a vitória a Lula em 2022 e manteve o petista na liderança em todas as sondagens de 2025, agora registra o fortalecimento do campo conservador. No cenário onde os nomes são apresentados ao eleitor, Flávio Bolsonaro aparece com 40% das intenções de voto, contra 39% de Lula. Embora o empate técnico persista dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais, esta é a primeira vez que um integrante do “clã Bolsonaro” ultrapassa o atual mandatário em solo amazonense desde o último pleito.
Radiografia do Interior e Capital
A pesquisa, realizada entre 27 de fevereiro e 3 de março, ouviu 1.200 eleitores em Manaus e em outras 14 cidades polos, incluindo centros estratégicos como Itacoatiara, Parintins, Manacapuru, Coari e Tabatinga. A abrangência geográfica reforça a percepção de que o sentimento de oposição tem rompido as barreiras da capital e avançado sobre as calhas dos rios.
Nos bastidores, analistas atribuem o crescimento da direita à fadiga de pautas econômicas e ao forte apelo do agronegócio e da segurança pública em municípios como Humaitá e Rio Preto da Eva.
Espontânea e “Terceira Via”
Apesar da liderança de Flávio no cenário estimulado, o presidente Lula ainda preserva uma ligeira vantagem na pesquisa espontânea (quando o eleitor cita o nome sem auxílio da lista), aparecendo com 29% contra 26% do senador. O dado mais relevante, contudo, é o índice de 40% de indecisos, revelando que uma fatia generosa do eleitorado amazonense ainda aguarda o amadurecimento das alianças.
Enquanto isso, os nomes alternativos — a chamada “Terceira Via” — ainda buscam tração no estado:
- Renan Santos (MBL): 6%
- Ronaldo Caiado (União): 5%
- Outros nomes (Eduardo Bolsonaro/Nikolas Ferreira): 1% cada.
A fragmentação do campo da direita em nomes menores reforça que, no Amazonas, a sucessão presidencial caminha para ser, mais uma vez, um duelo de titãs entre os legados de Lula e Bolsonaro.








