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Flor Matizada abre Festival de Cirandas sob emoção em Manacapuru

Da Redação Por Da Redação
29 de agosto de 2026
em Entretenimento
Flor Matizada abre Festival de Cirandas sob emoção em Manacapuru

Espetáculo no Parque do Ingá reuniu rituais, lendas e a estreia da cantora Paolla Sophy na arena de Manacapuru

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Agremiação apresentou o enredo ‘Witoriro, o Futuro Ancestral’ e abriu mão da disputa de notas em respeito a Jone Salgado

A Ciranda Flor Matizada abriu, na sexta-feira (28/08), as apresentações do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru (distante 68 quilômetros de Manaus), no Parque do Ingá. Com o tema “Witoriro, o Futuro Ancestral”, a agremiação levou para a arena um espetáculo que conectou ancestralidade, saberes dos povos tradicionais, preservação ambiental e a construção de um futuro baseado na relação de equilíbrio entre o ser humano e a natureza.

A apresentação também foi marcada pelo luto. Horas antes da apresentação oficial, o artista plástico Jone Salgado, que integrava a equipe responsável pela montagem das alegorias da Flor Matizada, faleceu enquanto trabalhava para fazer o espetáculo da ciranda acontecer.

Mesmo diante da perda, a Flor Matizada decidiu entrar na arena em respeito aos brincantes, trabalhadores e torcedores envolvidos na preparação do espetáculo. O vice-presidente da agremiação, Andrinho Demerson, destacou o esforço coletivo para realizar a apresentação.

“Essa apresentação significa muito para a Flor Matizada. A Flor Matizada vem se apresentar, prestar conta do dinheiro público, com um sentimento muito, muito, muito ruim, digamos assim, por conta do ocorrido. A gente sempre preza muito pela segurança, mas infelizmente aconteceu essa fatalidade”, afirmou.

Segundo Andrinho, a decisão de apresentar o projeto também considerou os meses de preparação dos integrantes da ciranda.

“Mas a Flor Matizada, em respeito aos cirandeiros que estão desde janeiro ensaiando, em respeito a todo um trabalho, em respeito à torcida que veio prestigiar a Flor Matizada, estaremos fazendo nossa apresentação. Estamos juntando forças de todos os cantos para a gente fazer essa apresentação e terminar. É complicado falar nesse momento, mas a gente está aqui, está sendo forte”, completou.

A agremiação, entretanto, decidiu abrir mão da disputa pelo título do 28º Festival de Cirandas, mantendo a participação como forma de apresentar ao público o trabalho desenvolvido para a temporada.

Espetáculo que envolveu emoção e arte

Na arena, a Flor Matizada desenvolveu uma narrativa inspirada nos conhecimentos e nas histórias dos povos originários da Amazônia. O espetáculo acompanhou uma jornada em busca dos saberes ancestrais e da construção de Witoriro, apresentada como uma cidade fantástica que simboliza a possibilidade de convivência harmônica entre humanidade, natureza, tradição e futuro.

Um dos momentos que ajudaram a introduzir a narrativa ocorreu durante a entrada do cordão de cirandeiros. A evolução foi integrada à alegoria e à encenação do espetáculo, com brincantes caracterizados como Cobra Honorato, personagem associado à narrativa apresentada pela ciranda. A composição transformou a entrada do cordão em parte do desenvolvimento do enredo, conectando dança, cenário e interpretação.

Depois de meses de ensaios e preparação, a entrada no Parque do Ingá também foi marcada pelo sentimento de realização dos brincantes. Para muitos integrantes, a apresentação representou a conclusão de um trabalho desenvolvido ao longo do ano e construído por artistas, dançarinos, músicos, alegoristas e profissionais dos bastidores.

Entre eles estava Rayna Oliveira, que há três anos integra o cordão da ciranda. Ela destacou a relação construída com a Flor Matizada e a emoção de participar novamente do espetáculo.

“Ficamos bem tristes com tudo isso que aconteceu, mas queríamos dar o nosso melhor como todos os anos. Essa é a minha ciranda de coração e para mim é uma honra fazer parte disso. Então, a apresentação de hoje vai muito além de título, é sobre paixão’’, declarou.

A torcida também teve participação importante durante a noite. Das arquibancadas, os torcedores acompanharam as evoluções e incentivaram os brincantes, reforçando a relação entre a Flor Matizada e o público que acompanha a trajetória da agremiação.

O futuro ancestral

A proposta de conectar diferentes gerações também ganhou espaço com a participação de Paolla Sophy, de 14 anos, que estreou na arena cantando um trecho da música “Flor do Amanhã”. A jovem representou justamente o conceito de “futuro ancestral” trabalhado no tema de 2026.

Antes de entrar no Parque do Ingá, Paolla falou sobre o nervosismo e a responsabilidade de participar pela primeira vez do festival. “Sou estreante no festival e vou estar representando o tema da Matizada. Apesar de ser uma parte pequena da canção, significa muito para mim porque as pessoas vão me conhecer e conhecer o trabalho da Matizada’’, disse.

A participação da adolescente reforçou uma das mensagens centrais do espetáculo: a transmissão dos conhecimentos entre gerações e a possibilidade de construir o futuro sem romper os vínculos com a ancestralidade.

Ao final da apresentação, integrantes de todos os setores da Flor Matizada se reuniram ao centro da arena e prestaram homenagem ao artista Jones Salgado. O momento também foi marcado pelo choro dos integrantes da equipe de artistas plásticos, que foram ovacionados pelo público presente no Parque do Ingá.

Festival segue com novas apresentações

Após a abertura com a Flor Matizada, na sexta-feira, o 28º Festival de Cirandas de Manacapuru segue com as apresentações das demais agremiações no Parque do Ingá. Guerreiros Mura e Tradicional também levarão à arena os projetos preparados para a temporada de 2026.

Neste sábado (29/08), a Guerreiros Mura apresenta “Ykawarù: A Cosmogonia do Bem e do Mal Apuricá”, espetáculo que aborda regionalidade, ancestralidade indígena e a relação dos povos originários com a natureza.

E a Ciranda Tradicional encerra a edição deste ano, no domingo (30/08), com o tema “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”, uma reflexão sobre os impactos da destruição ambiental na Amazônia e a resistência dos povos que atuam na defesa da floresta.

O Festival de Cirandas de Manacapuru, que chega à 28ª edição, constitui uma das principais manifestações da cultura popular do Amazonas e reúne diferentes linguagens artísticas, como música, dança, artes cênicas, alegorias e produção visual, movimentando uma cadeia de profissionais que atua durante meses na construção dos espetáculos.

GALERIA DE IMAGENS – Divulgação

Tags: Ciranda Tradicionalcultura do amazonasFestival de CirandasFlor MatizadaGuerreiros MuraJone SalgadoManacapuruParque do Inga
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