Programa que prometia recapear 10 mil ruas consumiu quase R$ 900 milhões, mas entregou menos de 30% do previsto
Manaus, a capital do Amazonas, enfrenta uma grave crise de infraestrutura que tem gerado indignação na população e intensificado o escrutínio sobre a gestão do prefeito David Almeida. A morte trágica de uma mulher grávida e seu bebê, devido a um buraco na avenida Djalma Batista, denunciado há meses, tornou-se o estopim para críticas à administração municipal. O programa “Asfalta Manaus”, que já consumiu quase R$ 900 milhões, sendo R$ 187 milhões repassados pelo governo estadual, está no centro de uma investigação do Ministério Público do Estado (MP-AM) por suspeitas de irregularidades, incluindo falta de transparência, superfaturamento e favorecimento a empresas ligadas a aliados políticos de Davi Almeida.
Programa Asfalta Manaus e as críticas
Lançado em 2022, o programa Asfalta Manaus prometia recapear 10 mil ruas na capital amazonense. No entanto, até o momento, apenas 2,7 mil ruas foram recapeadas, apesar dos gastos que chegam a quase R$ 900 milhões no primeiro mandato de David Almeida. A discrepância entre os valores investidos e os resultados apresentados tem gerado questionamentos sobre a eficiência e a lisura do programa. Moradores de diversas zonas da cidade relatam ruas esburacadas e falta de manutenção, enquanto acidentes causados por falhas na infraestrutura, como o ocorrido na Avenida Djalma Batista, intensificam a insatisfação popular.
Investigação do Ministério Público
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) renovou o inquérito civil que apura possíveis irregularidades no programa Asfalta Manaus, com foco na falta de transparência na divulgação do cronograma de obras e nos pagamentos realizados às empresas contratadas. A resistência da Prefeitura de Manaus em disponibilizar informações detalhadas sobre o plano de ação e os valores repassados às construtoras levantou suspeitas de má gestão e favorecimento.
Um dos pontos centrais da investigação é a empresa J C Construções e Terraplanagem Ltda., que recebeu uma dotação orçamentária de R$ 26.704.597,48 em 1º de abril de 2025, referente à concorrência pública nº 029/2023-CML/PM e ao contrato de repasse nº 943449/2023-MIDR/CAIXA. Curiosamente, a empresa não havia sido acionada para executar as obras do lote em questão até ser adquirida pelo empresário RONY MAIA GOMES, conhecido no meio público e próximo a um dos secretários de confiança do prefeito David Almeida. Dias após a aquisição, a empresa passou a ser contratada e paga pelo município, o que levantou suspeitas de favorecimento.
Rony Maia Gomes já responde a uma Ação Civil Pública (processo nº 0810153-05.2022.8.04.0001) por indícios de superfaturamento em contratos de locação de imóveis para escolas e creches municipais, o que reforça as preocupações do MP-AM sobre a lisura das contratações. O Curioso é que o mesmo nunca é localizado no processo, só pela prefeitura.
CPI do Asfalta Manaus
A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) instaurou a “CPI do Asfalta Manaus” para investigar as denúncias de irregularidades no programa e favorecimento de empresários. O prefeito David Almeida conta com o apoio de seu irmão, o deputado Daniel Almeida, mas enfrenta resistência de outros parlamentares. A CPI planeja notificar formalmente RONY MAIA GOMES para esclarecimentos sobre os contratos e os indícios de favorecimento. A investigação promete trazer à tona detalhes sobre a aquisição da empesa e suas verdadeiras razões, além da execução do programa e os gastos envolvidos, aumentando a pressão sobre a administração municipal.
Repercussão e crise política
A crise de infraestrutura e as investigações têm gerado forte impacto político. Postagens em redes sociais, como as de cidadãos e líderes locais, refletem a revolta da população com a gestão de David Almeida. A morte da mulher grávida na Avenida Djalma Batista foi amplamente comentada, com acusações diretas ao prefeito por negligência e má administração.
Empresários locais também expressam preocupação com o ambiente de instabilidade causado pelas sucessivas investigações, que envolvem não apenas o prefeito, mas também seu vice-prefeito, secretários e outros órgãos da administração. O Ministério Público de Contas (MPC) e o MP-AM intensificam a fiscalização, enquanto a gestão enfrenta uma crise interna que pode comprometer sua governabilidade.








