Relatório do Coaf aponta movimentação financeira vultosa feita pelo magistrado Alberto Bezerra de Melo para Adriana Almeida Lima, servidora pública presa em operação contra lavagem de dinheiro
Uma investigação jornalística conduzida pelo portal Radar Amazônico trouxe à tona movimentações financeiras atípicas que ligam uma autoridade do Judiciário a um esquema de lavagem de dinheiro desarticulado pela Polícia Civil do Amazonas. Documentos obtidos com exclusividade mostram que o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), Alberto Bezerra de Melo, realizou uma transferência bancária de R$ 750 mil para Adriana Almeida Lima.
Adriana é servidora pública e foi alvo da Operação Erga Omnes, que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 70 milhões provenientes do tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com os dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citados na apuração do Radar, o valor enviado pelo desembargador representa uma das maiores quantias recebidas pela investigada durante o período analisado.

Conexões e contexto
O caso ganha contornos complexos ao analisar o histórico de Alberto Bezerra de Melo. Além de magistrado, ele é procurador aposentado do Estado e concorreu ao cargo de vereador em 2020 pelo PROS, partido anteriormente ligado ao ex-governador José Melo. O ex-governador, por sua vez, teve seu mandato cassado por compra de votos e foi acusado de negociar apoio político com lideranças de facções criminosas.
Apesar de figurar no relatório de inteligência financeira, o desembargador Alberto Bezerra de Melo não foi indiciado até o momento. Questionado pelo Radar Amazônico, o delegado responsável pela investigação, Marcelo Martins, explicou que a Polícia Civil não possui competência para investigar magistrados diretamente, sendo necessária autorização e supervisão do tribunal respectivo.








