Mestra em Direito, jurista possui especialização internacional e atuou na defesa da igualdade feminina em carreiras jurídicas
O Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silca escolheu uma nova jurista para assumir o cargo de juíza titular do colegiado no Amazonas. A decisão, publicada em decreto oficial nesta terça-feira (07/07), confere à profissional um mandato com vigência de dois anos na vaga destinada à classe dos advogados, preenchendo a cadeira que era ocupada por Fabrício Marques, que deixou o posto após concluir dois ciclos regulamentares na função.
A definição teve como base a lista tríplice que havia sido chancelada e encaminhada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas. A advogada figurava como a única mulher no documento de pista, disputando a indicação de prateleira com outros dois profissionais do direito. Ao bater o martelo pela única presença feminina da lista, a canetada do Executivo federal atendeu a critérios de representatividade e, simultaneamente, consolidou uma leitura técnica sobre a divisão de forças de pista que operam nas franjas do poder em Brasília.
Trajetória acadêmica e institucional
A nova magistrada construiu sua trajetória profissional na advocacia privada, na docência de nível superior e na produção acadêmica voltada ao Direito Público, aos Direitos Humanos e ao fortalecimento das instituições democráticas. Ela é mestra em Função Social do Direito pela Faculdade Autônoma de Direito de São Paulo (FADISP) e possui especializações em Direito Público Constitucional e Administrativo, Cidadania do Século XXI, Direito Penal e Sociedade Global, além de formação complementar em Democracia e Desenvolvimento pela Universidade de Siena, localizada na Itália.
Paralelamente à forte atuação acadêmica, a advogada também desenvolveu atividades institucionais de relevância junto à advocacia amazonense de pista. Entre as funções exercidas, ela atuou como secretária-geral da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica no Amazonas (ABMCJ-AM), entidade focada na ampliação e inserção de mulheres nos espaços de poder jurídico. A profissional também integrou os quadros de gestão da Caixa de Assistência dos Advogados do Amazonas (CAA/OAB-AM), exercendo o posto de conselheira fiscal da entidade.
O caminho até a Corte
A aproximação da advogada com os tribunais ocorreu por meio das composições de listas tríplices destinadas às vagas de juristas. Seu nome figurou entre os escolhidos pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) em processos de seleção rigorosos realizados em 2025 e, mais recentemente, em 2026, etapa obrigatória para que os nomes sejam submetidos à chancela do Governo Federal. Em fevereiro deste ano, ela consolidou sua posição ao figurar entre as candidatas mais votadas pelo pleno do Tribunal de Justiça local, carimbando o passaporte para a análise documental e a posterior nomeação definitiva feita pela Presidência da República.
Longe dos tribunais e sob o prisma estritamente político, a nomeação é interpretada Manaus como uma vitória expressiva do senador Omar Aziz nos bastidores da capital federal. O parlamentar empenhou capital político na articulação e, com o desfecho favorável, reafirmou seu amplo canal de diálogo e forte influência junto ao núcleo duro do Palácio do Planalto. Por outro lado, o resultado de pista impõe um recuo tático e um cenário de desidratação para o pré-candidato ao Senado Marcelo Ramos, do PT, que liderava uma ofensiva paralela nos bastidores ministeriais para tentar emplacar outro candidato de sua preferência na Corte Eleitoral.








