Monitoramento do Selva aponta picos de poluição nos bairros Mauazinho e Morro da Liberdade na zona Sul
A poluição atmosférica provocada pelas queimadas voltou a cobrir a capital amazonense nesta quarta-feira (23/09), atingindo picos de 286,2 µg/m³ de material particulado fino em suspensão e enquadrando a qualidade do ar no nível péssimo.
O monitoramento em tempo real do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontou que os bairros Mauazinho e Morro da Liberdade, ambos situados na zona Sul, figuraram entre os perímetros urbanos mais castigados pela neblina tóxica.
O avanço da névoa cinzenta sobre o perímetro urbano resulta da alteração nas correntes fluviais de vento no interior da floresta. O engenheiro ambiental Alan Ferreira, que pesquisa o fenômeno desde 2014, explicou que a circulação atmosférica sofreu uma guinada relevante ao longo do fim de semana.
“Até a última quinta-feira (17), as plumas estavam seguindo no sentido oposto. Desde sábado (19), estamos com as plumas vindo do sudeste em direção ao norte”, analisou o engenheiro Alan Ferreira, ressaltando que a fumaça acumulada nas calhas dos rios do interior está sendo empurrada diretamente para a Região Metropolitana de Manaus.
A volatilidade das medições exige atenção contínua dos moradores, já que os indicadores podem sofrer variações ao longo das horas. O criador do aplicativo Selva e professor da UEA, Rodrigo Souza, fez questão de frisar que os valores apresentados na plataforma refletem momentos específicos do dia.
“Representam a qualidade do ar no momento da consulta. Não é garantia de qualidade do ar péssima o dia inteiro”, destacou o professor Rodrigo Souza, ao alertar que as condições de dispersão mudam conforme o calor e a força dos ventos.
O cenário de severa degradação ambiental afeta com ainda mais força os municípios vizinhos do interior amazonense. Nesta quarta-feira, a estação de medição de Manaquiri cravou 300,1 µg/m³, enquanto Manacapuru registrou 242,4 µg/m³ — índices que também se enquadram no topo da escala de gravidade técnica.
Levantamento do Panorama de Focos de Calor da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) indica a ocorrência de 5.771 focos de queimadas acumulados no Amazonas desde janeiro. Os registros são liderados por Apuí (969 focos), Novo Aripuanã (735), Lábrea (406), Autazes (343) e Manicoré (301).
Diante da gravidade da situação sanitária, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) orientou a população a suspender a prática de atividades físicas ou esportivas ao ar livre, recomendando atenção redobrada a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias. O órgão municipal aconselha o reforço na hidratação, a proteção dos olhos e o uso de máscaras N95 para quem precisa circular pelas ruas.
Em paralelo, equipes da Semmas e da Guarda Municipal de Manaus (GMM) intensificaram as fiscalizações com drones no combate a queimadas urbanas e ao descarte ilegal de resíduos, mantendo o telefone 153 e os canais digitais abertos para receber denúncias da população.








