Considerada uma das maiores honrarias científicas do Brasil, premiação reconhece cinco décadas de estudos sobre a ecologia das áreas úmidas da Amazônia
A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), foi anunciada como a grande vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, edição 2026. A honraria, concedida pelo CNPq em parceria com a Marinha do Brasil, reconhece a trajetória da pesquisadora, que há quase 50 anos estuda a influência do pulso de inundação na biodiversidade amazônica.
Ciência de longa duração
Líder do grupo de pesquisa Maua (Ecologia, monitoramento e uso sustentável de áreas úmidas) e coordenadora histórica do Peld Maua, Maria Teresa é referência global em ecossistemas alagáveis. Seus estudos explicam como a subida e descida dos rios — que pode variar até 10 metros — molda a vida de indígenas e ribeirinhos, além de influenciar o balanço hídrico de todo o país.
“A água bombeia para os sistemas da terra e gera chuva para o Sul e Sudeste, alimentando o agronegócio. A sociedade brasileira depende do balanço hídrico da Amazônia”, observa a pesquisadora.
Achados inéditos
Ao longo de sua carreira, Piedade tem documentado os riscos das ações humanas. Entre seus principais alertas atuais estão:
- Impacto das Hidrelétricas: Pesquisas na usina de Balbina (rio Uatumã) revelam que florestas estão morrendo gradualmente ao longo de 125 km abaixo da barragem, pois o suprimento de água passou a responder à demanda de energia e não ao ciclo natural.
- Peixe-boi Dispersor: Sua equipe comprovou o papel fundamental do peixe-boi amazônico na dispersão de sementes, um dado novo que reforça a importância de preservação da espécie para a regeneração das florestas alagáveis.
Desafios e legado
A cerimônia de premiação ocorrerá no Rio de Janeiro, no dia 7 de maio. Maria Teresa receberá medalha, diploma e a quantia de R$ 200 mil. A bióloga, que começou sua carreira quando a comunicação com o campo levava meses, defende agora o financiamento perene para a região devido aos altos custos logísticos da Amazônia.
Para as futuras cientistas, ela deixa um recado: “O olhar da mulher traz humanização e capacidade de conciliação. Nenhuma mulher deve se sentir menor ou deixar de fazer pesquisa”.
O trabalho de Maria Teresa foca em como a floresta “respira” e se adapta aos ciclos das cheias.








