Coletivo inclinou em vala de obra inacabada e travou portas; moradores culpam prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz, por abandono de vias
O colapso da infraestrutura urbana no município de Iranduba (a 28 quilômetros de Manaus) por pouco não terminou em uma tragédia de grandes proporções. Na manhã desta quinta-feira (21/05), os passageiros de um ônibus de viagem viveram momentos de pânico e desespero após o veículo despencar em uma imensa cratera tomada por água e lama no distrito do Cacau Pirêra.
O impacto fez com que a parte dianteira direita do coletivo afundasse completamente na vala, deixando o chassi inclinado e bloqueando o mecanismo de abertura das portas de embarque e desembarque. Sem conseguir sair pelas rotas de fuga tradicionais, os ocupantes precisaram quebrar os vidros das janelas laterais com ferramentas de emergência para conseguir evacuar o veículo antes que ele tombasse por completo.
O acidente gerou indignação imediata entre os moradores e trabalhadores que cruzam as vias de Iranduba diariamente, expondo o avanço das erosões durante o período chuvoso amazônico.
[A Linha da Crise Viária em Iranduba]
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├──► Armadilhas Ocultas: Chuvas encobrem buracos de tubulações inacabadas.
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├──► Fuga de Emergência: Passageiros quebram janelas após travamento de portas.
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└──► Desgaste Político: Moradores culpam gestão e apelidam valas de "buracos do Ferraz".
Relato do desespero: “Olha aí o que aconteceu. Caiu num buraco o ônibus, aí não tinha como abrir a porta, o pessoal quebrou os vidros. Passei pela janela. Aqui no Cacau Pirêra, tá bom? A gente desespera”, desabafou uma passageira em um vídeo gravado por celular que rapidamente viralizou nas redes sociais.
Moradores da área afirmam que o ponto onde o ônibus atolou faz parte de uma vala aberta para serviços de tubulação que foi abandonada pela metade pela administração municipal. As chuvas intensas cobriram a valha com água barrenta, transformando a rua em uma armadilha invisível para os motoristas.
Prefeitura vira alvo no Tribunal de Contas
O episódio ocorre em um momento de forte desgaste para o prefeito Augusto Ferraz (União Brasil). A população da Ilha e dos ramais adjacentes aponta o chefe do Executivo como o principal responsável pelo sucateamento das estradas, pela falta de sinalização e pela ausência de drenagem pluvial nas principais comunidades de Iranduba.
A crise na infraestrutura local já ultrapassou a barreira das redes sociais e virou caso jurídico. Recentemente, o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) acatou uma representação formal assinada pelos vereadores de oposição Larissa Gomes (PSD), Charles Jurandi (União Brasil) e Nedy Júnior (Progressistas). A denúncia aponta indícios de graves irregularidades contratuais, desvio de finalidade e descaso com a paralisação de frentes de asfalto no município. O processo está sob a relatoria do conselheiro da Corte, Luis Fabian Barbosa, que analisa a aplicação de medidas cautelares contra a prefeitura.
Até o fechamento desta reportagem, as autoridades de trânsito não haviam divulgado um balanço oficial com o número exato de feridos no acidente do Cacau Pirêra, e a Prefeitura de Iranduba não emitiu posicionamento para justificar o estado de conservação da rua.








