Investigação aponta que facção utilizava empresas de fachada para importar drogas da Colômbia; esquema movimentou R$ 9 milhões por ano desde 2018
A Operação “Erga Omnes”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas nesta sexta-feira (20/02), revelou um cenário de infiltração sistêmica do crime organizado nas instituições públicas. Mais do que um caso isolado na Prefeitura de Manaus, as investigações apontam para a existência de um “núcleo político” estruturado do Comando Vermelho (CV), com tentáculos que alcançavam os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Até o momento, 14 pessoas foram presas em uma ação que se estende por sete estados brasileiros.
Infiltração nos Três Poderes
O impacto da operação é profundo. Além de Anabela Cardoso Freitas — servidora da Comissão de Licitação e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida —, a polícia prendeu um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e ex-assessores de três vereadores da capital.
Embora o prefeito não seja alvo nem investigado, a prisão de sua ex-auxiliar direta e de figuras ligadas ao parlamento e ao judiciário expõe como a facção buscava facilidades institucionais para suas operações.
Logística multinacional e empresas de fachada
O esquema funcionava como uma engrenagem empresarial do crime. A quadrilha teria movimentado R$ 70 milhões desde 2018, mantendo uma média de R$ 9 milhões anuais. O modus operandi consistia em utilizar empresas de fachada nos setores de transporte e logística para lavar dinheiro e, principalmente, para viabilizar a compra de drogas na Colômbia.
Manaus funcionava como o centro de redistribuição: os entorpecentes chegavam da fronteira e eram enviados para estados como Pará, Ceará, Piauí, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo.
Ao todo, foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio imediato de contas, sequestro de bens e a quebra de sigilo bancário dos envolvidos.
A polícia identificou que as conexões operacionais do esquema utilizavam contas em cidades como Belém, Fortaleza e Teresina para pulverizar o capital oriundo do tráfico, tentando ludibriar os órgãos de fiscalização financeira.
O MAPA DA OPERAÇÃO
- Alvos no Poder: Comissão de Licitação (Prefeitura), Tribunal de Justiça (TJAM) e Gabinetes de Vereadores.
- Estados com ordens judiciais: AM, PA, MG, CE, PI e MA.
- Movimentação: R$ 1,5 milhão identificados apenas em empresas de fachada recentes; R$ 70 milhões no total histórico.
- Crime Base: Tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção passiva/ativa.








