Compositor de hinos históricos como ‘Evolução’ e ‘Encontro dos Povos’, Garcia faleceu aos 68 anos em São Paulo; bumbás decretam luto por perda irreparável na Baixa do São José.
A Baixa do São José amanheceu em silêncio. Neste sábado (7), o Festival de Parintins perdeu uma de suas mentes mais brilhantes com a partida de Tadeu Garcia, aos 68 anos. O compositor, que travava uma batalha contra o câncer em São Paulo, deixa órfã uma legião de torcedores encarnados que aprenderam a ver o boi evoluir sob o compasso de suas poesias.
Tadeu não era apenas um compositor; ele era o arquiteto da “Evolução”. Desde 1995, sua caneta deu ritmo ao momento mais crucial do Garantido na arena, criando uma sequência histórica de toadas que se tornaram hinos. De “Evolução” (1995) até a recente “Décima Oitava Evolução” (2025), Garcia soube como ninguém traduzir o sentimento do “povão” em notas musicais.
Obras como Encontro dos Povos, Rubro Coração e Alma de Guerreiro não apenas venceram festivais, mas moldaram a identidade cultural da região, unindo o erudito ao popular de forma humana e visceral.
Vozes de gratidão
A despedida ecoou forte nas redes sociais. Israel Paulain, apresentador do Garantido, destacou a capacidade de Tadeu em transformar arena em sentimento puro: “Seu legado continuará ecoando naquela arena sagrada”, pontuou em nota emocionada.
Já David Assayag, a voz que imortalizou muitos dos versos de Garcia, relembrou a parceria que atravessou décadas, desde o final dos anos 80. Para David, partiu um “irmão de vida e de carreira”. O respeito ao artista transcendeu cores: o Boi Caprichoso também manifestou pesar, relembrando a composição “Noite de Esplendor”, presente em sua discografia, provando que a arte de Tadeu era maior que qualquer rivalidade.
Em sinal de respeito, o Boi Garantido cancelou o ensaio da Batucada em Parintins. O mestre das evoluções “atravessou o grande rio”, mas suas toadas permanecem vivas, garantindo que o coração rubro continue batendo no ritmo que ele tão bem ensinou.








