Com o apoio unânime dos 24 deputados estaduais, o presidente do Legislativo assume mandato-tampão até janeiro de 2027
Nesta segunda-feira (4), a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) escreveu um capítulo inédito em sua história política ao realizar a primeira eleição indireta para o comando do Executivo Estadual. O deputado Roberto Cidade (União) foi eleito oficialmente governador do Amazonas para um mandato-tampão, tendo como vice o ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa (PSB). A posse está marcada ainda para esta segunda, às 17h.
A vacância dos cargos de governador e vice ocorreu na noite de 4 de abril, quando Wilson Lima e Tadeu de Souza renunciaram em um movimento estratégico para disputar as eleições de outubro. Como a saída ocorreu nos dois últimos anos do mandato original, a Constituição Estadual determina que a escolha dos sucessores seja feita pelo próprio parlamento, e não pelo voto popular direto.
Roberto Cidade já exercia a função interinamente há um mês, acumulando a chefia dos dois poderes. Com a votação de hoje, ele ganha legitimidade jurídica e política para gerir o estado até o dia 5 de janeiro de 2027.
Disputa e bastidores
Apesar do favoritismo de Cidade, que recebeu a unanimidade dos votos dos colegas, outras quatro chapas participaram do pleito:
- William Santos (PSDB) e João Ricardo Lima (PL);
- Cícero Alencar e Roque Lane Wilkens (DC);
- Sérgio Augusto Bezerra e Audricléa Frota (Novo);
- Daniel Fabiano e Daiane de Jesus Araújo (PT).
A sessão foi marcada por impasses jurídicos internos. Diretórios do PT e do PSDB enviaram ofícios desautorizando os candidatos que usaram as siglas para concorrer. No entanto, a Mesa Diretora manteve as candidaturas, alegando o caráter excepcional e inédito da eleição indireta no Amazonas, priorizando a ampla participação.
Desafios
O novo governador assume com o desafio de manter a estabilidade administrativa em meio ao ano eleitoral. A composição com Serafim Corrêa, político experiente e atual secretário de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, sinaliza uma tentativa de equilibrar a força política de Cidade com o perfil técnico e conciliador de Serafim.
A nova gestão terá pouco mais de oito meses para dar continuidade aos projetos estruturantes do estado e gerir o orçamento em um período que deve ser marcado por intensa polarização política.








