Programa ampliou em 50% as fiscalizações de medidas protetivas em 2024 e atua em sete cidades amazonenses com equipe especializada em acolhimento humanizado
Desde que foi criado, há 11 anos, o programa Ronda Maria da Penha da Polícia Militar do Amazonas mantém um índice que chama atenção: nenhuma das mulheres acompanhadas pelas equipes foi vítima de feminicídio. O resultado reflete não apenas o trabalho de fiscalização, mas uma rede de proteção que começa no acolhimento e se estende até a reconstrução da vida das vítimas.
Neste ano, o programa intensificou a atuação. Entre janeiro e setembro, foram realizadas 2.730 fiscalizações de medidas protetivas — um crescimento de 50% em relação ao mesmo período de 2023, quando o número ficou em 1.820. Os dados comprovam o aumento tanto da procura por proteção quanto da capacidade de resposta da PM.
“Fazemos o primeiro contato ainda na delegacia, em nossa sala de acolhimento. Ali, um policial militar treinado realiza o atendimento especializado. Depois que o Judiciário expede as medidas protetivas, passamos a acompanhar e fiscalizar o cumprimento”, explica a major PM Priscila Alencar, comandante do Ronda Maria da Penha.

O programa atende atualmente em Manaus e em seis municípios do interior: Parintins, Manacapuru, Tabatinga, Careiro Castanho, Coari e Tefé.
Da vulnerabilidade à segurança
A cantora Jhenifer Borher conhece de perto o impacto do acompanhamento. Ela passou a ser assistida pela equipe em maio de 2024, após denunciar o ex-companheiro — um lutador de MMA — por agressão e ameaça de morte. Hoje, reconstruindo a própria trajetória, ela credita ao programa parte fundamental dessa recuperação.
“Eu estava muito abalada, muito machucada emocionalmente. O Ronda Maria da Penha foi, de fato, muito importante nesse recomeço. Comecei a receber visitas semanais, depois quinzenais. Eles estavam sempre ligando, fazendo esse acompanhamento. Naquele momento de vulnerabilidade, a minha segurança voltou”, relembra a artista.
Prevenção que transforma
Para o sargento PM Freires, que atua há mais de seis anos no programa, a missão vai além da fiscalização. “Nosso trabalho é proteger, mas também investir em prevenção. Realizamos palestras para conscientizar jovens, trabalhadores e famílias, porque acreditamos que só por meio da informação será possível reduzir os casos de violência doméstica”, afirma.
Antes de ingressarem na unidade especializada, os policiais militares passam por capacitação específica. O treinamento aborda legislação, comportamento e técnicas de abordagem humanizada. Somente após a conclusão do curso os agentes são considerados aptos para integrar a equipe do Ronda Maria da Penha.
As visitas periódicas às vítimas fazem parte da rotina. É nesse contato frequente que se constrói a confiança necessária para que mulheres em situação de violência sintam segurança para denunciar, romper o ciclo de agressão e reconstruir suas vidas — longe do medo e da ameaça.








