Eleição de 14 de maio antecipa o tabuleiro da OAB-AM em 2027 e expõe o desgaste da atual gestão
A consulta da advocacia amazonense realizada na última quinta-feira (14), na Arena da Amazônia, encerrou uma das etapas mais aguardadas — e turbulentas — do processo de escolha do novo desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) pelo Quinto Constitucional. Mas, para além dos seis nomes que comporão a lista sêxtupla, o pleito revelou um segundo resultado, igualmente significativo: uma prévia clara do cenário de forças que se desenharão na eleição da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM) em 2027.
Observada a paridade de gênero estabelecida pelas regras do pleito — três mulheres e três homens —, foram escolhidos para integrar a lista sêxtupla:
- Gizele Falcone
- Marco Aurélio Choy
- Carlos Alberto Ramos
- Anielo Aufiero
- Grace Benayon
- Carmem Romero
A lista será agora encaminhada ao Tribunal de Justiça do Amazonas, que reduzirá os nomes a uma lista tríplice. Esta, por sua vez, seguirá ao governador do Estado, Roberto Cidade, a quem cabe a nomeação final do novo desembargador.
Disputa marcada por judicialização
A corrida pelo Quinto Constitucional desta vez entrou para a história como uma das mais acirradas e tumultuadas já vistas no Amazonas. O processo foi marcado por sucessivos recursos administrativos e ações judiciais, com pedidos de impugnação que se acumularam desde a fase de inscrição.
O caso de maior repercussão foi o que resultou no afastamento do candidato Flávio Antony, então Chefe da Casa Civil do governo Wilson Lima, considerado um dos nomes mais influentes da disputa antes de ser excluído do pleito. Fontes ouvidas pela reportagem apontam que a queda de Antony se deve exclusivamente ao Clã Simonetti, grupo que comanda a OAB Nacional e mantém, há quase meio século, grande capilaridade na esfera regional amazonense.
Leitura dos resultados
A vitória de Gizele Falcone como a candidata mais votada é, em si, um fato político de peso. Esposa do desembargador Pascareli e apontada como herdeira política de Flávio Antony — que deixou um legado político e econômico de estrutura considerável —, Gizele se consolidou no cenário político da OAB, esbanjando poder econômico e prestigio politico que culminaram na sua chegada ao 1º lugar na lista. Apesar disso, fontes da reportagem indicam que ela teria contado com o apoio velado de Jean Mendonça, presidente da OAB Amazonas, ainda que sem peso decisório na articulação final.
Em segundo lugar da lista geral — aparece Marco Aurélio Choy, candidato oficial do sistema OAB e nome da atual situação. Professor universitário, procurador do município de carreira, doutor em Direito e detentor de vasto currículo jurídico, Choy chegou à disputa contando com toda a estrutura e máquina institucional da Ordem, mas não conseguiu encabeçar a lista, terminando atrás de Gizele.
O resultado representa um duro recado das urnas: dos três nomes que compunham a moção indicativa de Choy — formada também por João Tolentino e Laura Lucas —, apenas o próprio Choy obteve votos suficientes para integrar a lista sêxtupla. Tolentino e Laura Lucas ficaram pelo caminho.
Oposição organizada
Os demais candidatos que conseguiram emplacar suas candidaturas na lista representam, em sua maioria, a oposição da advocacia atual. O caso de Grace Benayon é emblemático: disputou a última eleição contra Jean Mendonça pela presidência da OAB-AM, ficando em segundo lugar naquele pleito, e agora conquistou a segunda vaga feminina da lista sêxtupla.
Grace é tida nos bastidores como candidata de oposição orgânica: não gastou dinheiro em campanha, não contou com apoio de políticos, desembargadores ou empresários que pudessem investir em sua candidatura. Sua votação expressiva é lida por observadores como um sinal claro do desgaste da atual gestão, que conseguiu emplacar apenas um único candidato — Choy — na lista final.
A presença simultânea de Carlos Alberto Ramos, Anielo Aufiero e Carmem Romero entre os escolhidos reforça a leitura de que a advocacia amazonense, ao votar, sinalizou pluralidade e descontentamento com o atual arranjo de poder da Seccional.
O que esperar?
esso agora segue para o Tribunal de Justiça do Amazonas, que conduzirá a votação interna para reduzir os nomes à lista tríplice. Em seguida, caberá ao governador Roberto Cidade a palavra final sobre quem ocupará a cadeira vitalícia no TJAM pelo Quinto Constitucional.
Mas o desfecho desta disputa, mais do que definir um novo desembargador, deixa exposto o tabuleiro político da advocacia amazonense para o próximo ciclo. A leitura nos corredores forenses é uma só: a eleição da OAB-AM de 2027 já começou — e começou em 14 de maio de 2026.








